Educação

Estudantes da Unicamp iniciam greve contra corte de R$ 40 milhões

Funcionários da USP param a partir de amanhã também por cortes de recursos

São Paulo

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Estudantes também querem ampliação das moradias e cotas raciais / Divulgação / Facebook

Os estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ocuparam nesta quarta-feira (11) a reitoria da instituição contra cortes no orçamento e iniciaram uma greve por tempo indeterminado. Os estudantes querem que o reitor amplie as moradias estudantis, desenvolva uma política de cotas raciais e reveja o corte de R$ 40 milhões no orçamento. Eles avaliam que o contingenciamento desse valor afeta diretamente a qualidade da educação oferecida para a comunidade universitária.



No final final de abril, o reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, anunciou uma série de cortes no orçamento da universidade, sob a justificativa da diminuição da arrecadação do estado. As universidades estaduais são mantidas com repasses do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cobrança estadual feita em negociações de produto ou serviço. Com a crise e as isenções dadas pelo governo do estado para diversos setores empresariais, esse repasse apresentou queda.



“O contingenciamento foi anunciado esse ano, mas em alguns institutos e faculdades isso já vem acontecendo há algum tempo. Nesse ano, o que se prevê como áreas que vão ter cortes são as cotas de impressão; a manutenção predial, o que precariza as estruturas; e a contratação de professores, o que implica na qualidade do ensino”, exemplifica o estudantes do curso de Geografia, Guilherme Montenegro, 20 anos. “Outra pauta que nós nos solidarizamos muito é o congelamento de alguns concursos. A área da saúde inteira da universidade terá funcionamento mínimo, o que afeta também a comunidade de Campinas que conta com esse serviço”, afirma.



Para os estudantes, debater o corte também é uma forma de “escancarar as desigualdades de orçamento”. Eles reclamam que, enquanto há déficit de moradias estudantis, a universidade paga salários acima do teto permitido por lei para funcionários ligados à cúpula da reitoria. “Por mais que precise de repasse de ICMS maiores, a gente acha que dentro do orçamento que temos, a Universidade deveria ter outras prioridades. O Tribuanal de Contas do Estado questiona esses super salários e diz que tem que cortar, mas a universidade diz que isso não é possível”, avalia Montenegro.



Em 2015, o jornal Folha de S.Paulo revelou que 1.020 funcionários da Unicamp recebiam mais que o teto permitido no estado, que estabelece que ninguém pode ganhar mais que o governador. À época, Geraldo Alckmin (PSDB) ganhava R$ 21.631. Na lista, havia funcionários cujos salários ultrapassavam R$ 60 mil por mês.



Além disso, há funcionários que tem duas matrículas na universidade e ganham dois salários, o que também é questionado pelo TCE e pela comunidade acadêmica. “Se cortassem esses salários, daria para investir em muitas outras coisas”, pontua Montenegro.

USP

O Sindicato dos Funcionários da Universidade de São Paulo (USP) entrará em greve nesta quinta-feira (12). Também amanhã, os estudantes da USP decidirão se entram ou não em greve. Em unidades como a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, no entanto, a interrupção das aulas e outras atividades já foi aprovada pelos estudantes do curso de letras.



No dia 16, as duas universidades e a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) farão um ato unificado contra os cortes na educação. “Os secundaristas têm nos inspirado muito. O nosso inimigo é o mesmo, o [governador Geraldo] Alckmin. Há uma vontade muito grande de construir uma greve geral da educação”, afirma Montenegro.



Resposta

A Unicamp divulgou nota afirmando que foi surpreendida pela ocupação de suas instalações e que "desconhece a motivação do ato e estranha que a ocupação tenha ocorrido sem qualquer reivindicação prévia por parte dos manifestantes". A nota afirma ainda que a universidade avalia a situaçãoa "a fim de tomar as medidas cabíveis".