Mobilizações

Manifestações contra o golpe tomam conta do país

No Rio, protestos aconteceram como resistência dos trabalhadores na luta pela democracia e contra o impeachment

Rio de Janeiro

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Trabalhadores resistem na luta pela democracia em todo o país / Mídia Ninja

Nesta semana, mobilizações de trabalhadores se espalharam por várias cidades do Brasil como parte do “Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Democracia e dos Direitos Trabalhistas".  

Organizados pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo, os atos incluíram manifestações de rua, bloqueio de rodovias de grande circulação e paralisações em escolas, faculdades e empresas. Os protestos aconteceram como forma de mostrar resistência dos trabalhadores na luta pela democracia e contra o golpe expresso no impeachment da presidente Dilma Rousseff.

No Rio de Janeiro, várias categorias de trabalhadores estiveram mobilizadas. Entre elas, os petroleiros, que, ao lado do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), realizaram um ato em frente à Refinaria Duque de Caxias. Durante o dia, junto com os professores da rede estadual, os petroleiros realizaram uma panfletagem contra o golpe no centro da cidade.

No início da manhã, a rodovia Rio-Santos, na altura do porto de Itaguaí, foi bloqueada pelos portuários, com a ajuda dos moedeiros. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, manifestantes também bloquearam a Via Dutra na pista sentido Rio, pouco antes das 5h, na altura de Nova Iguaçu. 

Na capital carioca, funcionários da Eletrobrás fizeram paralisação ao longo dia. Os trabalhadores protestaram contra a terceirização e o perigo que o golpe representa para a classe trabalhadora. Os bancários também pararam parcialmente o funcionamento das agências no centro da cidade na manhã de terça-feira. Entre as reivindicações estava o combate aos projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado que atingem os trabalhadores.

“Os trabalhadores estão começando a perceber o que está em jogo. Os mesmos que atacam a democracia defendem o ataque aos direitos dos trabalhadores. Existem 55 projetos de lei em tramitação nas casas parlamentares que atacam os nossos direitos, como ampliação da terceirização e a prevalência do acordo sobre lei trabalhista. Se o golpe vingar, teremos que lutar novamente por direitos que já conquistamos com tanto esforço e hoje estão garantidos”, explica Adriana Nalesso, presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro.

Na terça-feira (10), aconteceu uma ação unificada dos trabalhadores cariocas. A concentração do ato “Luzes contra as trevas e pela democracia” foi em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Antes de seguir em caminhada até a Candelária, os manifestantes encenaram o sepultamento da carteira de trabalho e das leis trabalhistas, enquanto os trabalhadores, com lanternas, iluminaram o seu retorno simbólico.

Protestos se espalham pelo Brasil

As manifestações também aconteceram em vários estados espalhados pelo Brasil, entre eles Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Rondônia, Pernambuco, Paraíba, Espírito Santo, São Paulo, Pará, Piauí, Maranhão, Paraná e Rio Grande do Norte, além do Distrito Federal. Em mais de 17 estados, rodovias foram trancadas como forma de protesto de diversos movimentos populares organizados, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). 

Em Salvador, as aulas da Universidade Federal da Bahia (UFBA) foram paralisadas em defesa da democracia. Em Curitiba, no Paraná, balões em forma de coração com a mensagem “Fica, querida” foram espalhados pelo centro da cidade. Já no interior de São Paulo, em São Bernardo do Campo, trabalhadores da Ford decidiram paralisar a produção por 24 horas, na segunda-feira, pela garantia dos empregos.