Nacional

Ministério de Temer reforça política patrimonialista

Para especialista, novo governo fortalece famílias políticas tradicionais

Da redação

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Posse de Michel Temer despertou manifestações espontâneas por todo o país / Giordano Maestrelli

Em menos de uma semana, o governo interino de Michel Temer despertou a crítica de setores empresariais, movimentos populares, artistas e pesquisadores, gerando reações nas ruas do país contrárias às medidas anunciadas de imediato. Entre elas está a extinção de nove ministérios, como o de Comunicações, Desenvolvimento Agrário, das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (de 32 para 23).

Elites familiares

De acordo com o cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Costa Oliveira, o novo ministério de Temer dá ênfase à política patrimonialista. Para ele, um reflexo disso é a nomeação de Ricardo Barros (PP) para a pasta do Ministério da Saúde, o que fortalece o privilégio e os interesses das “famílias políticas” que se mantêm no poder.

Barros é pai da deputada estadual Maria Victória Borghetti e marido da vice-governadora, Cida Borghetti, aspirante ao governo do Paraná. O novo ministro tampouco conhece a área da Saúde, o que reforça a escolha de políticos tradicionais e não de especialistas no assunto. De acordo com Oliveira, Temer também é ligado no Paraná a Rodrigo Rocha Loures, ex-deputado federal pelo PMDB, outro representante de família da elite local.

“Temos um governo formado por representantes de oligarquias familiares, o que mostra o perfil conservador do governo, que escolheu nomes com acusação de corrupção. Foi dado o golpe em nome dos piores grupos da classe dominante, isso pode ser percebido no Paraná”, denuncia.

Essa é uma das razões para as mobilizações do final de semana após a posse do presidente interino. A tendência é que essa insatisfação se some à avaliação negativa do governo Richa (PSDB) no estado, avalia Oliveira.

Agenda de cortes unifica setores golpistas 

Breno Altman, diretor do site Opera Mundi e da revista Samuel, por sua vez, avalia que Temer foi escolhido pelas frações dirigentes da burguesia e das forças conservadoras para impor uma agenda chamada de ultra-liberal, com cortes em áreas sociais e trabalhistas, que permita o relançamento da acumulação capitalista no país. “Exigem dele que não seja candidato à reeleição, para que possa tomar as medidas antipopulares encomendadas sem ter que raciocinar com base na conquista de votos”, afirma Altman, em entrevista ao Brasil de Fato MG.

Essa tarefa depende da unidade entre as correntes golpistas, do grau de resistência democrática e social, da confiança que conquistar junto às corporações empresariais e centros imperialistas, além do cenário econômico internacional.