Opinião

ARTIGO: Governo não está garantindo direitos básicos da população

Não se trata só de “roubalheira”. Trata-se, principalmente, de opção política

Rio de Janeiro

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Serviços públicos estão cada vez mais precários na cidade do Rio / Pablo Vergara

“Fiquei três horas para ser atendido na UPA”. “Na escola do bairro a merenda é biscoito de água e sal”. “A casa do meu vizinho deve desabar com a próxima chuva”.

Para algumas pessoas, essas são frases que só se veem na televisão ou nos jornais. Para tantas outras, são expressões do dia a dia. Saúde, educação e habitação de qualidade, por exemplo, são direitos de todos, garantidos na Constituição Federal. Mas por que será que a maioria dos governantes não respeita os nossos direitos?

Quando a gente vê como os serviços públicos estão precários, logo pensamos que está tudo ruim porque tem muita corrupção e roubalheira. Isso é verdade, mas é apenas uma parte da verdade. Outra parte é que os serviços públicos estão caindo aos pedaços para que os serviços privados sejam valorizados. Dessa forma, quem tem condições de pagar vai para um colégio particular e para os planos de saúde. Não se trata só de “roubalheira”. Trata-se, principalmente, de opção política para favorecer empresários e outros setores da burguesia.

Mas, como a elite faz para diminuir os investimentos públicos e, ao mesmo tempo, contar com o apoio da população? Convencendo a gente de que o serviço público é ruim por natureza, que não tem como ser melhor e é condenado ao fracasso por causa da burocracia e da corrupção. Por outro lado, afirmam que o setor privado é eficiente, transparente e ágil, merecendo ser desenvolvido mesmo que com dinheiro público.

Pense nisso

As ideias dominantes são sempre as da classe dominante. Então será mesmo que privatizar, vendendo o que é do povo, é a melhor solução? Será que diminuir direitos trabalhistas vai beneficiar os trabalhadores? A metade das riquezas que nós produzimos deve servir mesmo para pagar os juros da dívida do governo ao invés de ser investida em serviços de qualidade? “Quem não pensa é pensado pelos outros”, já dizia o filósofo grego Sócrates. Então te convido a pensar nas respostas.

Felipe Moreira é diretor do Conselho Regional de Serviço Social (CRESS-RJ) e professor da Faculdade de Serviço Social da UERJ.