Contra o golpe

Manifestantes bloqueiam rua em Curitiba pedindo “fora Temer”

Ato ocorreu no momento da tomada de posse do novo ministro da Cultura, em Brasília

Curitiba (PR)

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“Apesar do anúncio da manutenção do Minc, não queremos que ele seja um ministério fantasma. Queremos políticas públicas, culturais, e que seja respeitada a nossa democracia”, defende a artista e professora de artes, Rafa Poli. / Camilla Hoshino

Uma panfletagem, com faixas, música e intervenções lúdicas, chamou a atenção de quem passou na tarde desta terça-feira (24) pela Rua José de Alencar, no bairro Juvevê, em Curitiba. Manifestantes bloquearam duas faixas da rua, na altura do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), contra o governo interino de Michel Temer.

O ato foi organizado por integrantes do movimento #MincResiste e, não por coincidência, aconteceu no mesmo momento em que o novo ministro da Cultura, ex-secretário de Cultura do Rio de Janeiro, Marcelo Calero, tomou posse em Brasília.

A artista e professora de artes, Rafa Poli, integrante do #MincResiste, explica que a intenção do ato é mostrar que o movimento não reivindica apenas a manutenção do Ministério da Cultura (Minc), mas participa de uma luta ampla, que faz a defesa de mais direitos sociais e que não reconhece como legítimo o governo de Michel Temer. 

“Não é só pela cultura, mas também pela educação, pela demarcação de terras indígenas, pelas mulheres negras, quilombos, pelos povos nativos, pelo Sistema Único de Saúde, etc.”, afirma Poli.  

Durante o ato, manifestantes entregaram panfletos aos carros, explicando o motivo da intervenção. “Também é pela Constituinte para a Reforma do Sistema Político/ Também é pela Reforma Agrária/ Também é pelo Direito à Moradia/ Também é pela Democratização da mídia”, diz o texto, sinalizando pautas que devem retroceder caso Michel Temer assuma definitivamente a Presidência da República.

 

Vitória parcial

A primeira ocupação de prédios públicos contra a extinção do Minc aconteceu em Curitiba, no Iphan, no dia 13 de maio. Depois disso, outras 27 ocupações proliferaram pelo país. Cedendo à pressão de artistas e manifestantes, o presidente interino desistiu de transformar a pasta da Cultura em uma secretaria subordinada ao Ministério da Educação.

“Apesar do anúncio da manutenção do Minc, não queremos que ele seja um ministério fantasma. Queremos políticas públicas, culturais, e que seja respeitada a nossa democracia”, defende Rafa Poli. Segundo ela, o objetivo do movimento #MincResiste- que  envolve não apenas artistas, mas psicólogos, advogados, historiadores, estudantes, profissionais da educação, entre outros-, é pressionar até a queda de Michel Temer.