RESISTÊNCIA

Comunidade de Manzo celebra festa dos pretos velhos

Celebração é uma oportunidade para discutir preconceito e intolerância religiosa

Belo Horizonte

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Crianças das famílias quilombolas serão batizadas pelo Pai Benedito. / Divulgação: Comunidade de Manzo

No domingo (29), a comunidade quilombola Manzo Ngunzo Kaiango, em BH, celebra sua festa dos pretos velhos, por eles chamada de Kizomba da Senzala de Pai Benedito. O festejo, que é aberto ao público, terá atividades do congado, tambor de crioula, capoeira e culinária banto. Durante a celebração, as crianças das famílias quilombolas serão batizadas pelo Pai Benedito.

A homenagem ao Pai Benedito acontece todo ano, no último domingo do mês de maio, e é um dos momentos mais significativos da vida da comunidade. “Também é quando abrimos as portas para quem vem de fora e discutimos o preconceito e intolerância religiosa”, explica Makota Kidoiale, da Associação de Resistência Cultural da Comunidade Quilombola Manzo Ngunzo Kaiango.

Quem são

A comunidade de Manzo surgiu por volta dos anos 70, quando a fundadora do grupo, Mãe Efigênia, foi morar com a família no alto do bairro Santa Efigênia, em BH. Desde os doze anos, ela já desenvolvia a atividade espiritual na Umbanda. “Minha mãe teve um problema de saúde sem nenhuma explicação da medicina. Um dia, minha avó aceitou levá-la a um terreiro. Lá, a primeira entidade que veio nela foi um preto velho chamado Pai Benedito. Assim, ela começou a fazer alguns trabalhos”, recorda Makota Kidoiale, que é filha de Mãe Efigênia.

Ela conta que, um dia, o Pai Benedito fez uma cura para uma família que tinha boa condição financeira. A família resolveu retribuir com um dinheiro que foi usado para comprar o terreno onde hoje vive a comunidade. “O Pai Benedito falou para a gente comprar um lugar para ele. Começou, assim, a Senzala de Pai Benedito que, no início, era um quartinho de madeira que minha mãe mesma construiu”. Mais tarde, o lugar tornou-se terreiro do Candomblé de Angola.

Preto Velho

Os pretos velhos são entidades da umbanda, que aparecem sob a forma de velhos ancestrais que viveram nas senzalas e morreram nos troncos ou de velhice, na época da escravidão. No Brasil, eles são celebrados no mês de maio.