Editorial

Lutar contra o golpe e pela vida das mulheres

Combater a violência contra as mulheres passa por muito mais que um departamento na Polícia Federal

Rio de Janeiro

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A criação de um departamento na Polícia Federal para combater a violência contra a mulher foi anunciada pelo governo golpista como resposta ao caso de estupro coletivo que ocorreu no Rio de Janeiro. Primeiro, Temer entregou o Ministério da Justiça a uma figura altamente controversa e acostumada ao uso da força para conter manifestações. Segundo, este mesmo governo extinguiu o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (MMIRDH).  

Os golpistas usurparam o governo utilizando a questão de gênero para atacar a presidente eleita. Ou seja, os ataques à Dilma foram ataques a todas as mulheres. 

Não há como esperar de um governo ilegítimo ações que visem à garantia de direitos. Em 13 anos foi possível alterar de modo significativo a vida das mulheres. Em menos de um mês do governo golpista, diversas ações dessas foram extintas sob o argumento de cortes de gastos.

Qual a perspectiva de política para as mulheres que este governo interino e ilegítimo apresenta? A volta das belas, recatadas e do lar? Estamos vendo a falta de mulheres em espaços de gestão e o corte nos programas sociais que atendem principalmente as mulheres. Michel Temer teve o apoio das bancadas da bíblia, boi e bala na execução e gestão do golpe em curso e está tendo uma gestão marcada por corruptos e réus com longas fichas criminais e investigações em andamento. 

A vida das mulheres não cabe nos acordos feitos a portas fechadas. Por isso, seguiremos lutando incansavelmente contra o golpe.Combater a violência contra as mulheres passa por muito mais que um departamento na Polícia Federal, criminalização da vítima ou discursos de tortura como pena. Lutar por democracia é lutar pelo direito à vida das mulheres. 

Vamos seguir lutando por cidades seguras, direito à mobilidade e transporte público livre de assédio. Queremos uma sociedade em que os corpos e vidas das mulheres não sejam violados pelo estado ou dogmas religiosos. O nosso voto precisa ser respeitado e a democracia restabelecida!