REFORMA AGRÁRIA

Frente parlamentar faz visita à futura área da Barragem do Guapiaçu no Rio

Área que será alagada é uma das regiões com mais intensa produção agrícola

Rio de Janeiro (RJ)

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Os deputados da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar e Reforma Agrária fizeram, na segunda-feira (31), uma visita técnica à área da futura barragem do Rio Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu. Ela será construída pelo governo do Estado para abastecer o leste fluminense e o Comperj. A presidente da Frente, deputada Zeidan (PT), e o deputado Sadinoel (PMB), ouviram moradores e entidades que estão preocupados com os efeitos da obra, ainda não iniciada, para a agricultura familiar na região. A superintendente do Incra, Maria Lúcia Mota, órgão responsável pela titularidade das terras, também participou da visita. Ao todo, mil pessoas ocupam o assentamento do Incra.

Os moradores protestaram contra a construção da barragem. Eles pedem a criação de uma política estadual para os atingidos por barragens e a regularização fundiária dos assentamentos.

Cachoeiras de Macacu é o sexto município em extensão territorial e o quinto maior produtor agrícola do estado. A área alagada pela barragem é uma das regiões fluminenses com mais intensa produção agrícola de base familiar. Estima-se que a barragem atingirá cerca de 2000 hectares de terra, o que corresponde a dois mil campos de futebol. Aproximadamente 330 famílias serão desalojadas, entre assentados arrendatários e proprietário – sendo 216 propriedades indenizadas.

A produção na região é uma das maiores do estado, abrangendo frutas, legumes, verduras, tubérculos e pequenos animais, que chegam à segunda maior central de abastecimento da América Latina, a Ceasa do Irajá, no Rio de Janeiro. O comércio em feiras livres e mercados em todo o Grande Rio gera uma economia de mais de R$ 200 milhões por ano para o município.

A construção da barragem do rio Guapiaçu tem como objetivo fundamental abastecer o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que envolve a construção de refinarias e fábricas de beneficiamento de derivados de petróleo. A obra também pretende ampliar a oferta de água para o entorno do Complexo, como na Ilha de Paquetá e nos municípios Niterói e São Gonçalo.