AMOR E LUTA

Afeto em tempos de golpe: é preciso amar sem Temer!

As ruas e as praças são palcos comuns de manifestações, mas também são há muito tempo palco de encontros

Recife

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Amor e militância se misturam diariamente / Arquivo pessoal

"Supõe que num comício colorido

A praça, enfim, vai nos conciliar

Supõe que somos do mesmo partido

Supõe a praça a se inflamar

Bandeiras soltas pelo ar

E tu começas a cantar

Supõe que eu vibro, comovida

E supõe que eu sou tua canção"

Chico Buarque



Nesses tempos de ebulição social as ruas e as praças são palcos comuns de manifestações, atos, marchas e caminhadas, mas também são há muito tempo palco de encontros, locais onde casais se conhecem. Homens e mulheres, construindo as várias maneiras de amor - que valem amar. Em um cenário cercado por todos os lados pelo autoritarismo de ocasião e levada ao extremo por aqueles que desprezam a democracia, a Frente Brasil Popular sugeriu aos casais que no dia 12 de junho aconteçam manifestações criativas em todo o país com o tema "Faça amor, não faça Golpe". O tema foi pensado como antídoto para o ódio e concebido por pessoas que amam a democracia e não assistirão sua degradação de braços cruzados.

Amor e Luta

A semana de arrecadação de votos da Campanha por um Plebiscito Popular pela Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político aconteceu em setembro de 2014 e foi no meio da coleta de votos que William e Iyalê se conheceram, numa noite chuvosa em Olinda, após rodarem a região metropolitana coletando votos para a Campanha. William era estudante de enfermagem e membro do Comitê Saúde da Campanha e Iyalê já era militante do Levante Popular da Juventude. Da noite brotou um beijo e um desejo de continuar. Depois da Campanha, eles passaram a se encontrar diversas vezes em manifestações, cursos, formações, já que William passou também a integrar o Levante. E o que era amizade, paquera, carinho se transformou em namoro, depois de muitas idas e vindas dos dois. O casal está namorando há um ano, onde amor e militância se misturam diariamente. "O amor de nós dois, pela nossa família, amigos e a militância é que dá sentido a minha vida hoje", afirmou William. E Iyalê completa: "Quando a gente pensa que a militância consome muito e que podíamos fazer outra coisa, me dou conta que não sei mais viver de outro jeito". A rotina é de encontros entre reuniões e atividades e os dois pontuam que o maior desafio da relação é o tempo entrecortado, "mas vamos encontrando jeito de estar sempre juntos. Não falar de política é impossível, mas a gente ouve e respeita as opiniões um do outro, mesmo quando discordamos". Os dois também fazem parte do Coletivo Siembra, a música e a poesia também são elementos desse encontro. Citando a música "Um girassol da cor do seu cabelo", o casal vai vivendo no compasso do "vento solar e das estrelas do mar". No zodíaco, câncer e capricórnio são opostos complementares, o cuidado canceriano de William e a intensidade capricorniana de Iyalê vão construindo o presente, no amor e na luta. É tempo de amar sem Temer.