CRISE ECONÔMICA

Decreto de calamidade afetará serviços públicos no Rio de Janeiro

Com a medida, estado conseguiu empréstimo de R$ 3 bi para cobrir gastos com os jogos

No audio source provided.
Empréstimo não será gasto para quitar salários atrasados dos servidores públicos
Empréstimo não será gasto para quitar salários atrasados dos servidores públicos | Crédito: Empréstimo não será gasto para quitar salários atrasados dos servidores públicos

O estado de calamidade decretado pelo governador em exercício Francisco Dornelles pode piorar as dificuldades enfrentadas há meses pelos trabalhadores do Rio de Janeiro. A medida, que entrou em vigor na última semana, autoriza a racionalização de todos os serviços públicos para a realização dos Jogos Olímpicos. Isso quer dizer que as verbas destinadas aos serviços essenciais, como saúde, segurança e educação, podem ser desviadas para executar ações voltadas ao megaevento.

Em entrevista, Dornelles afirmou que o objetivo do decreto é "abrir caminho para medidas duras no campo financeiro para que as Olimpíadas sejam realizadas”. Além disso, a decisão também garante que o estado tenha acesso a mais um empréstimo do governo federal, no valor de R$ 3 bilhões. O montante, porém, não será gasto para quitar salários atrasados dos servidores e sim para conclusão das obras da Linha 4 do metrô e para reforçar a área de Segurança Pública.

Na última semana, o governo estadual pagou pouco mais da metade dos salários de 393 mil servidores públicos. O restante dos pagamentos ainda não tem uma data certa para o depósito. O valor total que resta para quitar a folha é de R$ 468 milhões.

Para o professor Ricardo Pereira, que também é diretor do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio, o decreto representa a formalização de uma política de calamidade que vem sendo exercida há anos no estado e que piorou nos últimos meses.

 “Está claro que essa é mais uma manobra para conseguir dinheiro do governo federal. E esse dinheiro não vai servir ao povo e sim às Olimpíadas. É um jogo de cartas marcadas, que favorece a quem já é favorecido e prejudica os trabalhadores cada vez mais”, afirma.

Para explicar o decreto de estado de calamidade, além da crise econômica, Dornelles disse que “o que aconteceu pertence à história". Renato Santos, da Rede de Médicas e Médicos Populares do Rio, concorda com a afirmativa. Para ele, as Olimpíadas são apenas a ponta do iceberg.

“Também estamos pagando a conta desse megaevento, mas a crise do estado do Rio está ligada a um conjunto de situações anteriores, ligadas às péssimas gestões, principalmente de Cabral e Pezão, ambos do PMDB. Há uma crise econômica no Brasil e no mundo, além da queda de arrecadação dos royalties do petróleo, mas sem sombra de dúvida o que estamos vivendo está muito mais ligado à gestão corrupta dos últimos governos”, acrescenta.

Na terça-feira (21), a bancada de deputados estaduais do PSOL entrou com um pedido de decreto para anular a decisão de Dornelles. Os deputados justificaram a ação pela inconstitucionalidade da medida do governador, por colocar a realização das Olimpíadas acima dos serviços públicos e também por abrir espaço para novos empréstimos sem transparência.

“O governador tomou a decisão sem consultar a população e nem os deputados, achando que pode fazer o que bem entender, mas não vai conseguir sucatear ainda mais os serviços que são direito da população”, concluiu Renato Santos.

 

Editado por: Redação

|

Newsletter