Manifestação

Guaranis protestam em São Paulo contra massacres de indígenas no Mato Grosso do Sul

O estopim foi o assassinato, na semana passada, de Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, 23, em Caarapó

São Paulo (SP)

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A manifestação, marcada no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, reuniu cerca de 100 pessoas / Gisele Brito/Brasil de Fato

Em solidariedade aos Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, guaranis de São Paulo realizam um ato nesta sexta-feira (24), no vão Livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. A manifestação reuniu cerca de 100 pessoas para denunciar o massacre dos indígenas e cobrar o fim desse genocídio. 

O estopim foi o assassinato, na semana passada, de Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, 23, morto com pelo menos dois tiros em Caarapó (MS), a 273 km da capital Campo Grande. Outros seis indígenas foram gravemente feridos, entre eles uma criança de 12 anos.

Apenas em 2014, o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, publicado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), registrou 138 casos de assassinatos no país. Destes, 41 aconteceram no Mato Grosso do Sul.

"Estamos tentando conscientizar a população de São Paulo sobre essa situação, que é bem grave. É um massacre descarado em que pistoleiros são pagos por fazendeiros para exterminar a população indígena", explica Emerson Guarani, professor da rede estadual em São Paulo.

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O ataque aos Kaiowá foi mais um dos vários que vêm ocorrendo nos últimos anos. A região é palco de um intenso conflito por terra em que fazendeiros tentam expulsar os indígenas. "Eles se acham donos da terra, mas não são. Os indígenas estavam lá primeiro", lembra Sonia Barbosa, da aldeia Guarani no Jaraguá, na zona oeste da capital paulista.

"Primeiro, há a questão política, que é a terra e o avanço ruralista no Congresso. E tem a questão do preconceito, do racismo. Em qualquer lugar que você encontra população indígena, as pessoas tem a imagem do selvagem, que permanece há séculos. É um massacre continuado há 516 anos disso, em todas as regiões do país", argumenta Emerson.

"Só a educação pode reverter isso, mas como fazer isso, se não conseguimos alterar o que dizem os livros didáticos?", reflete o professor.

Edição: Camila Rodrigues da Silva