América Central

Ambientalista da mesma instituição de Berta Cáceres é assassinada em Honduras

Lesbia Yaneth Urquía militava no COPINH desde o 2009, na defesa dos rio e contra os megaprojetos hidroelétricos

São Paulo (SP)

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Honduras tem se tornado um dos países mais perigosos para defensores de direitos humanos / Reprodução

Na tarde desta quarta-feira (7), mais uma militante do Conselho de Organizações Populares e Indígenas (COPINH) foi assassinada em Honduras, evidenciando o aumento da violência e da repressão contra os movimentos populares no país centro-americano.

Lesbia Yaneth Urquía, 49, morava no município de Marcala, a leste de Tegucigalpa, e era mãe de três filhos. Tinha ingressado no COPINH em 2009 após o golpe de Estado contra Manuel Zelaya e era liderança na luta pela defesa da água e contra os megaempreendimentos hidrelétricos.

Assim como no caso de Berta Cáceres, assassinada no 4 de março deste ano, o COPINH denuncia que a morte da militante é parte de um “plano” para desaparecer com quem defende os bens comuns da natureza e estão organizados no movimento indígena camponês.

A militante hondurenha estava participando ativamente do processo de consulta cidadã sobre o projeto hidrelétrico que o governo tem autorizado no departamento de La Paz.

A consulta é promovida pelo povo tradicional lenca e o Centro Hondurenho para a Promoção do Desenvolvimento Comunitário (CEHPRODEC), que são contrários ao projeto que beneficia a firma da empreiteira da vice-presidenta do Congresso Nacional e presidenta do Partido Nacional, Gladys Aurora López e a seu esposo, Arnaldo Castro.

Segundo a nota lançada pelo COPINH, o assassinato de Lesbia Yaneth foi um “feminicídio político que busca calar as vozes das mulheres com coragem que defendem seus direitos contra o sistema patriarcal, racista e capitalista”.

No texto, eles apontam como responsável o governo de Honduras, presidido por Juan Orlando Hernández, as forças militares e policiais, e ao casal Lopez e Castro, ameaçam permanentemente as resistências aos projetos hidrelétricos.

Feminicidio político

Segundo o informe de agressões contra defensoras de Direitos Humanos da Iniciativa Mesoamericana de Defensoras (IM-Defensoras), foram registradas entre 2012 e 2014 um total de 1.688 agressões a mulheres defensoras de direitos humanos na região (El Salvador, Guatemala, Honduras e México), das quais 318 aconteceram em Honduras. 

Na mesma linha, um estudo realizado pela ONG Global Witness, sinaliza que, em 2014, Honduras foi o país que registrou mais assassinatos de defensores e ambientalistas no mundo.

O informe intitulado “Quando mais?” revela que, das 116 mortes de ambientalistas registrados em 2015, três quartos ocorreram na América Latina, pontualmente em Honduras, Brasil e Peru.

Edição: Camila Rodrigues da Silva