MOBILIZAÇÕES

Caravana da Democracia fortalece resistência popular em Pernambuco

A criação de comitês e as mobilizações de ruas aconteceram por todo o estado

Recife

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Do Vale do São Francisco ao Recife a Caravana envolveu milhares de pessoas de dezenas de cidades pernambucanas na realização de atos e plenárias. / Vinícius Sobreira

Foram 12 cidades em 10 dias. No dia quatro de julho uma plenária na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e um ato de rua deram largada à Caravana Popular em Defesa da Democracia. Do Vale do São Francisco ao Recife a Caravana envolveu milhares de pessoas de dezenas de cidades pernambucanas na realização de atos, plenárias e na criação de comitês da Frente Brasil Popular para organizar a população para as lutas em todo estado. A Caravana passou por sete cidades do Sertão (Petrolina, Ouricuri, Salgueiro, Petrolândia, Serra Talhada, Afogados da Ingazeira e Arcoverde), duas no Agreste (Garanhuns e Caruaru), duas na Zona da Mata (Surubim e Palmares) e uma na Região Metropolitana (Recife).



No quinto ano de convívio com a maior seca dos últimos 50 anos, as famílias de agricultoras do Sertão pernambucano levaram sua bravura, cultura e arte às ruas na defesa da democracia e de políticas públicas como os incentivos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e a implementação de cisternas, que possibilitaram uma nova realidade de vida no semiárido brasileiro. Assessora da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco (FETAPE), Kátia Ferreira afirma que os sindicatos que compõem a federação na região visitaram casa por casa em suas bases, na construção da passagem da Caravana por Afogados da Ingazeira.

Os movimentos e sindicatos da região se reuniram após o ato e constituíram o comitê regional da Frente Brasil Popular do Pajeú. "A partir da Caravana a população entendeu melhor o momento que o País vive e está mais motivada a construir a Frente. Cairemos em campo com força, nas bases, denunciando o golpe no Brasil", pontuou. Participaram das atividades da Caravana 43 dos 56 municípios sertanejos do estado.

Na passagem por Garanhuns, no Agreste, e por Palmares, na Zona da Mata Sul, a militância não se intimidou diante das chuvas e realizou suas atividades de rua, dialogando com a população sobre o processo de Impeachment, as medidas tomadas pelo governo interino de Michel Temer nesses dois meses e as ameaças aos diretos trabalhistas e às políticas sociais.

Membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Jaime Amorim destacou que "além de denunciar o golpe a Caravana cumpre o papel de denunciar os golpistas" que votaram a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff e que se elegeram com os votos desses municípios. "O povo precisa estar atento aos parlamentares que se dizem representantes de Pernambuco no Congresso, mas que votaram contra o povo pernambucano, contra a democracia e contra as conquistas sociais dos últimos anos. Eles não podem mais receber os nossos votos. Nem eles e nem os que se candidatarem com o apoio deles", afirmou.

Jaime lembrou ainda que há parlamentares que são "golpistas e traidores", elencando aqueles que foram aliados do Governo Federal mas que votaram a favor do impeachment. "São traidores do povo pernambucano. Os deputados Gonzaga Patriota, João Fernando, Tadeu Alencar, Fernando Filho e o senador Fernando Bezerra não merecem o voto do povo de Pernambuco. Esse último, por exemplo, foi ministro de Dilma, mas bastou o golpista Michel Temer oferecer um ministério para o filho dele que o senador mudou de lado. Por isso precisamos escrever nas testas deles para sempre que são golpistas e traidores". O governador Paulo Câmara também foi lembrado como "golpista" em todas as cidades. Os nomes de cada um dos citados foi seguido de sonoras vaias.

A Caravana não morreu

No último dia de trajeto, quando foram realizados atos em Caruaru e no Recife, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se somou à Caravana. O petista disse que a construção da Frente Brasil Popular de Pernambuco foi inspiradora. "Quando vi o que vocês fizeram aqui decidi participar. Essa Caravana me motivou a percorrer o País conversando com a população", disse o ex-presidente, que na década de 1990 liderou as Caravanas da Cidadania, que percorreram 4.500 quilômetros ao longo de sete estados brasileiros, conhecendo com mais profundidade os problemas enfrentados pela população e elaborando políticas públicas que atendessem às demandas da sociedade.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores de Pernambuco (CUT-PE), Carlos Veras, avaliou o processo como muito positivo para a Frente Brasil Popular e para o fortalecimento das lutas pelo aprofundamento da democracia. "A luta não encerrou. Nós vamos realizar a segunda etapa da Caravana e voltar em cada recanto do estado. Não vamos dar sossego aos golpistas".