MORADIA

Movimento ocupa a Câmara em audiência sobre plano diretor

Vereadores prometem apresentar projetos que beneficiem ocupações

Belo Horizonte

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Durante ocupação, manifestantes foram agredidos por seguranças / Wallace Oliveira

Nesta segunda-feira (25), a Câmara Municipal de Belo Horizonte realizou audiência para discutir o projeto do novo plano diretor da cidade, encaminhado pelo Executivo. Movimentos urbanos estiveram presentes à mesa, mas a sessão foi encerrada antes que pudessem participar da discussão.

“Nós viemos aqui para incluir no plano diretor a mudança de zoneamento das ocupações urbanas, pois elas ainda não são reconhecidas como áreas de interesse social, ou seja, de moradia. Reivindicamos isso para poder ligar água, luz, esgoto. Várias pessoas queriam falar, mas foram interrompidas. Então, resolvemos ocupar o plenário”, conta Leonardo Péricles, do Movimento de Luta dos Bairros, Vilas e Favelas (MLB).   

Quando o movimento decidiu pela ocupação, seguranças da Câmara bloquearam os acessos ao banheiro. Uma mulher teve a criança arrancada do colo. Iniciou-se, então, uma confusão, que terminou com várias pessoas feridas. “Seguranças me agrediram e à minha esposa. Fico triste com isso, porque eles são humanos como nós, mas nos tratam como bichos. Eu vou ao médico, vou fazer boletim de ocorrência e vou procurar meus direitos, porque isso é um absurdo”, comenta Tiago Henrique, morador da ocupação Eliana Silva.

Apesar da violência, o MLB conseguiu fazer com que o presidente da Câmara e a Mesa Diretora assumissem alguns compromissos. Entre eles, a apresentação de uma emenda no plano diretor, reconhecendo todas as ocupações da cidade como Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS). A Mesa Diretora também prometeu apresentar projeto alterando o zoneamento das ocupações, a fim de destiná-las à moradia popular. Além disso, responsáveis pelas agressões no plenário serão investigados e poderão sofrer punições.  

Na quarta-feira (27), representantes da Prefeitura visitarão as ocupações da cidade. “Vamos acompanhar e cobrar. Esperamos que isso seja o início de um diálogo concreto, que busque urbanizar o conjunto de comunidades, que hoje são mais de 25 mil famílias em Belo Horizonte e têm seu direito à cidade negado”, afirma Leonardo Péricles.