LUTA PELA DEMOCRACIA

O fascismo no Brasil hoje

Você sabia, por exemplo, que no Brasil tivemos o maior partido nazista do mundo fora da Alemanha?

Rio de Janeiro

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Luta em defesa da democracia em curso deve incorporar obrigatoriamente o combate ao fascismo / Divulgação

Em tempos de holofotes para bolsonaros, malafaias, frotas e fundamentalismos de todo tipo, da apologia constante às ideias machistas, racistas e preconceituosas nas redes sociais e do aumento da violência contra pessoas Lgbts e o crescente assassinato de jovens negros em todo o território nacional, temos a sensação de que vivemos um delicado e sombrio período da nossa história.

Porém, muitas vezes esquecemos de que pensamentos e bandeiras reacionárias, inclusive de natureza fascista, sempre estiveram presentes nos projetos e discursos da direita no país, ora de forma mais visível ora de maneira dissimulada.

Você sabia, por exemplo, que no Brasil tivemos o maior partido nazista do mundo fora da Alemanha? Que a Ação Integralista Brasileira (AIB), organização inspirada no fascismo italiano e no integralismo lusitano, chegou a reunir mais de um milhão de filiados? Que na Constituição de 1934, em seu artigo 138, está escrito que “Incumbe à União, aos Estados e aos Municípios: estimular a educação eugênica”, ou seja, fomentar a superioridade da raça branca perante as demais?

Mesmo que os governos autoritários dos períodos do Estado Novo (1937 – 1945) e da Ditadura Militar (1964 – 1985) não possam ser considerados fascistas no sentido estrito, Florestan Fernandes, no ensaio “Notas sobre o fascismo na América Latina”, chama a atenção para os processos de “fascistização sem fascismo”. Ou seja, o sociólogo alertou para o fato de que valores e ideias fascistas podem existir nos mais diversos tipos de regime político, até mesmo, em plena vigência da democracia.

A disseminação da intolerância, do ódio, do elitismo e da misoginia que observamos hoje, seja nos atos “Fora Dilma” e nos panelaços da classe média, nas medidas tomadas pelo governo golpista e no conservadorismo do congresso nacional, na ascensão de iniciativas como a Escola Sem Partido e o Movimento Brasil Livre (MBL), expressam a vitalidade e o perigo da fascistização da sociedade brasileira que não podem ser menosprezados.

Nesse sentido, a luta em defesa da democracia e contra o Golpe em curso deve incorporar obrigatoriamente o combate ao fascismo nas ruas, nas mídias, nas escolas, no parlamento, em todos os espaços. Sem vacilo e sem descanso.

Pedro Silva é professor e militante da Consulta Popular