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Especial: Café tipo exportação, trabalho tipo escravidão

Jornalista percorreu cidades do Sul de Minas Gerais e constatou inúmeras irregularidades que marcam a produção de café

Belo Horizonte

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Do crime da exploração do trabalho ao nível mais degradante da escravidão à dupla opressão sofrida pelas mulheres, ele narra as pelejas por que passam os trabalhadores/as / Arquivo /Adere

“São 4h30. No trevo de Elói Mendes, a 15 km de Varginha, sul de Minas Gerais, centenas de trabalhadoras e trabalhadores rurais aguardam o transporte para as fazendas de café da região. Aos poucos, os ônibus vão chegando. Dois deles, em melhor estado, aguardam o horário para rodar por cerca de 22 quilômetros até o local da colheita. A viagem, de ida e volta, acontece de segunda a sexta-feira. Assim como no embarque, o retorno é no escuro. E nesta época do ano, o frio é intenso. Minhas mãos quase congelam.

Ao perceber a minha presença, um desconhecido e ainda por cima com uma câmera fotográfica, muitos ônibus não param em frente a uma padaria. Seguem, rápido, para outro local. Não é por menos: todos estão caindo aos pedaços. São irregulares. Não têm licença e o motorista não é habilitado. Por isso não pararam aqui. Vão pegar o pessoal em outro local”.

Rogério Hilário, jornalista da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT Minas) e colaborador do Brasil de Fato, percorreu diversas cidades do Sul de Minas no final de julho de 2016. No percurso, constatou as inúmeras irregularidades e injustiças que marcam a produção do café “tipo exportação”, vendido para diversas empresas nacionais e estrangeiras. Do crime da exploração do trabalho ao nível mais degradante da escravidão à dupla opressão sofrida pelas mulheres, ele narra, nessa série de reportagens, as pelejas por que passam os trabalhadores e trabalhadoras envolvidos no plantio e na panha do café.

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