TRABALHO ESCRAVO

Fazendeiros infratores são ligados a importantes marcas de café

Recentemente, fazendas no Sul de Minas Gerais foram flagradas pelo MTE

Especial para o Brasil de Fato

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"Se fiscalizassem mais, seriam constatadas muito mais práticas de trabalho escravo”, avalia o dirigente da Adere-MG / Rogério Hilário

Recentemente, fazendas ligadas a cooperativas de café foram flagradas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) submetendo trabalhadoras e trabalhadores a condições de trabalho análogo a escravidão. Uma delas foi a Cooperativa Regional dos Cafeicultores do Vale do Rio Verde (Cocarive), com sede em Carmo de Minas. 

Ainda em Carmo de Minas, mais uma fazenda foi denunciada, por um sindicato ligado à Adere-MG, por manter nove trabalhadores do Vale do Jequitinhonha em condições precárias, com documentos pessoais retidos, devendo ao fazendeiro, além de alguns deles dormirem no chão. 

Na Fazenda Santa Júlia, em Jesuânia, apesar de os auditores não terem aplicado o que determina a Instrução Normativa (IN) 91/2011 do MTE, as condições eram precárias e desumanas. Segundo as informações dos sindicatos, as quatro fazendas são ligadas a Cocarive. 

“Registramos suspeitas de ligações de cooperativas, que atuam na exportação de café, com fazendas com casos de exploração de trabalho escravo, trabalho degradante e análogo à escravidão, fraudes trabalhistas e trabalho informal. São a Coocarive, Minasul, Cooparaíso e Coxupé, a quem fazendas de Carmo de Minas, Itamogi, Monte Santo de Minas, Campanha, Machado, Silvanópolis, Jesuânia e Botelhos são filiadas”, diz Jorge Fernando dos Santos Filho, coordenador da Adere-MG.


“Registramos suspeitas de ligações de cooperativas, que atuam na exportação de café, com fazendas com casos de exploração de trabalho escravo”


“Nas fazendas da Pedra e Lagoa flagramos trabalho escravo. A Fazenda Lagoa é ligada ao ex-presidente do sindicato patronal rural, e hoje dirigente. A outra é ligada a outro dirigente do mesmo sindicato rural de Carmo de Minas. As duas fazendas são da Coocarive e venderam café para a Nestlè. Está comprovado o envolvimento das duas fazendas no trabalho escravo e a própria Nestlè admitiu ter comprado o café desses produtores em 2015. A fazenda Cambará também está na Coocarive. O Sindicato combateu o trabalho precário, que se fiscalizado pelo MTE, seguramente seria caracterizado como escravo na Fazenda Cambará”, conta Jorge Ferreira. 



Denúncias recentes

Em 2016, entre os dia 17 de junho e 4 de julho, três casos de trabalho escravo em fazendas de café foram denunciados pela Adere-MG ao Ministério Público e ao MTE: a prática desumana nas fazendas Santana (Perdões), Santa Rita (Jusuânia) e Palmeiras (Conceição de Aparecida). Nas três houve resgate de trabalhadores. Há informações de mais de dez ocorrências na região só nesta safra de café. 

“Nas últimas safras, encontramos e denunciamos fazendas com práticas de trabalho escravo nos municípios de Silvianópolis, Carmo de Minas, Jesuânia, Ibiraci, São Sebastião da Bela Vista, Lambari, Monte Santo de Minas, Itamogi, Machado, Perdões, Conceição de Aparecida, São Gonçalo do Sapucaí, Poços de Caldas, Botelhos. Se fiscalizassem mais, seriam constatadas muito mais práticas de trabalho escravo”, avalia o dirigente da Adere-MG.

Foto: Arquivo / Adere

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