Jogos Olímpicos

Cariocas opinam sobre legado das Olimpíadas no Rio

O Brasil de Fato foi até a Central do Brasil ouvir o que os trabalhadores estão achando do megaevento

Rio de Janeiro

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Trabalhadores opinam sobre megaevento no Rio de Janeiro / Pablo Vergara

De que forma os Jogos Olímpicos influenciaram o cotidiano dos cariocas? O legado das Olimpíadas para o Rio de Janeiro será bom ou ruim? Quem foi realmente beneficiado com a vinda do megaevento? Ninguém melhor do que o próprio povo do Rio para responder a essas perguntas.  Para ouvir a opinião dos cariocas, o Brasil de Fato foi até a Central do Brasil.

“Os jogos são elitizados”

Charles Costa, assistente de telemarketing, 40 anos

Morador de Santo Cristo, Charles sentiu a chegada das Olimpíadas com as obras. “As obras do VLT mudaram bastante a dinâmica das pessoas se locomoverem, por causa dos desvios e as alterações de linhas de ônibus. Isso atrapalhou muitas vezes”, diz o carioca. Charles não vai assistir a nenhum jogo pessoalmente, só pela TV. “Eu não sei quanto custa direito cada ingresso, mas a informação que eu tive é que a cerimônia de abertura custava a partir de R$ 200. Isso impede a pessoa com um salário mínimo de participar. É inviável e não pode ser considerado algo inclusivo, é elitizado”, opina ele.

"Não faz diferença"

Maria Geci Duarte, técnica de enfermagem, 59 anos

 “Como eu não sou uma pessoa de vir para o Centro, não senti muito o impacto das obras. A única coisa que melhorou para mim foi o BRT”, diz a moradora de Jacarepaguá. “Mas a própria obra do BRT foi um transtorno, você não tem noção do que Jacarepaguá passou. Só que, agora que já acabou, tá uma maravilha”, diz Maria. Ela também comenta a situação financeira do estado. “Não vou criticar as Olimpíadas, mas quem é aposentado está sem salário, tudo por causa dos Jogos. É importante? É, mas para mim não vai fazer diferença nenhuma”, finaliza.

 “Quem ganha são as empresas”

Edilmar de Oliveira, comerciante, 55 anos

Para o morador da Ilha do Governador, as Olimpíadas trarão certo benefício para a população por causa das obras. “Mas só foi feito isso por causa das Olimpíadas, com algum tipo de interesse. Essas obras poderiam ter sido feitas antes”, opina Edilmar. Ele também não assistirá a nenhum jogo pessoalmente. “Pra mim quem ganha mesmo é o governo e as empresas. O atleta em si, o que ganha? A maioria dos atletas mal tem dinheiro para ir sequer ao local de treinamento”, argumenta.

“Foi um aprendizado e tanto"

Camila Kasmyn, artista de rua, 23 anos

Os Jogos Olímpicos deram à jovem artista Camila Kasmyn a oportunidade de dançar como voluntária na cerimônia de abertura. De Nilópolis, a dançarina nunca imaginou que se apresentaria num evento como esse. “Adorei. Foi um aprendizado e tanto”, diz ela. “Eu acho que as Olimpíadas estão agregando pessoas, mas por causa dos ingressos nem todo mundo pode assistir”, afirma. Camila também não assistirá a nenhum jogo.

“Temos que ver os hospitais"

Valdeir de Almeida, vigia, 58 anos

Seu Valdeir mora na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ele diz que os Jogos Olímpicos trazem muita animação, mas o país não está nesse clima. “É uma festa, uma alegria, só que o Brasil não tem condições de fazer Olimpíadas. A gente tem que ver hospitais, colégios, estamos precisando”, diz o caxiense. Amante de futebol, seu Valdeir só pensa em tentar assistir a algum jogo caso a seleção brasileira vá bem. “Mas o futebol masculino tá muito fraco”, lamenta.