Direitos trabalhistas

A arca de Noé da perda de direitos

Congresso eleito pelo povo é capaz de propor projetos que proíbem aumentos no financiamento público de políticas sociais

Curitiba (PR)

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Diferente da história de Noé, só há uma saída: fazer nossa “arca da resistência” por nenhum direito a menos, e assim, expulsaremos a arca dos egoístas exploradores / Antônio Augusto/Câmara dos Deputados

Vivemos tempos que lembram a história de Noé. Parece algo tão absurdo quanto o herói da Bíblia quando falou do dilúvio, já que são tantos os direitos da classe trabalhadora em perigo. 

É inacreditável que um Congresso eleito pelo povo para fiscalizar o executivo, para aplicar políticas públicas universais e formular leis para as nossas condições de vida e saúde, seja capaz de aprovar projetos como o PL 257 e 241, que proíbem aumentos no financiamento público de políticas sociais. Como entender que, nos próximos vinte anos, não haverá aumento de unidades de saúde, escolas novas, entre outras políticas públicas? 

A reforma da previdência é sem dúvida um golpe dos mais cruéis nos trabalhadores, pois busca alterar a idade mínima para o direito à aposentadoria. E é mais sério, porque há o risco de acabar com o SUS.  

A proposta de instituição no Congresso da Comissão que irá propor um plano de saúde “acessível” é uma dinamite na porta de entrada do SUS, pois os tais planos não terão cobertura completa. Os já existentes são de custo elevado, não cobrem tudo e sobra para a saúde pública os procedimentos de alto custo. Se hoje já temos problemas de financiamento, estes seriam ainda maiores, pois os valores pagos aos planos serão reduzidos do imposto de renda, que é uma das fontes de receitas vinculadas à saúde. 

Diferente da história de Noé, só há uma saída: fazer nossa “arca da resistência” por nenhum direito a menos, e assim, expulsaremos a arca dos egoístas exploradores. 

Irene Rodrigues é diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal (Confetam/CUT)