Incomunicável

Presa política do governo argentino suspende greve de fome

Líder popular Milagros Sala está detida desde janeiro; organizações denunciam ilegalidade a órgãos internacionais

São Paulo

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“Vou suspender a greve de fome a pedido da minha família, pois não quero que continuem preocupados”, manifestou Milagros em carta pública / Reprodução

A dirigente popular argentina e parlamentar do Mercosul,  Milagro Sala, suspendeu a greve de fome iniciada na sexta passada (12) em protesto ao cerceamento de comunicação à que foi sancionada pelo Serviço Penitenciário provincial Carlos Morales, no estado de Jujuy, no noroeste argentino, onde está detida desde janeiro deste ano. O caso já foi apresentado por advogados populares e organizações de direitos humanos frente à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Uma das lideranças da organização territorial Tupac Amaru, Milagro foi detida no dia 16 de janeiro, pouco mais de um mês depois da posse de Mauricio Macri. Acusada pela justiça provincial, por fraude, associação ilícita e extorsão - e após uma forte campanha mediatica-, Sala foi detida por liderar um acampamento pacífico instalado em frente ao governo da província, em protesto contra os cortes nos programas sociais por parte do novo governo “Cambiemos”. Além de Milagros, outros dez integrantes da Tupac Amaru se encontram na mesma situação.

A greve de fome se prolongou por 5 dias. “Vou suspender a greve de fome a pedido da minha família, pois não quero que continuem preocupados”, manifestou Milagros nesta terça-feira (16), numa carta dirigida ao juiz Isidoro Cruz e difundida pelas redes sociais.Na Praça de Maio, no centro de Buenos Aires, o acampamento continua e outros integrantes da Tupac Amaru seguem com a greve de fome, exigiendo justiça.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Elizabeth Gómez Alcorta, advogada de Milagros e integrante do Movimento de Profissionais do Povo,  espaço de advogados populares, explica que “nos últimos dias, ela ainda estava animada, mas começamos a notar que ela estava muito magra. Tinha perdido quase 10 quilos e a família estava muito preocupada. Nós, como equipe de advogados, tomamos a decisão de lhe aconselhar que suspendesse a medida, dizendo que sua denúncia contra a injusta sanção continuaria pela voz de companheiros que ficaram no acampamento e, tambem, legalmente. Estamos fazendo uma apresentação frente à Corte Interamericana de Direitos Humanos”. A comunicação à CIDH da ilegalidade da sanção, incrementa o trámite já iniciado em janiero pelas organizações defensoras de direitos humanos CELS, ANDHES e Anistia Internacional.  

Segundo a advogada, o cerceamento de sua comunicação por 10 dias, continua vigente até o 22 de agosto. 

Movimentos da América Latina se solidarizam com Milagros Salas.

As organizações populares latino-americanas que compõem a ALBA tem se manifestado pela liberdade da “presa política de Macri”. Segundo a nota lançada pelos Movimentos da ALBA, a “sua detenção se dá num contexto de brutal redistribuição da renda a favor do mais ricos e da ofensiva geral contra as organizações populares na Argentina, por meio desse bloqueio formado por setores mais conservadores do poder econômico, político, midiático e judicial”.

Segundo a nota, enquanto o poder judicial mantém Milagros na cadeia e persegue as Mães da Praça de Maio, concede prisão domiciliar aos condenados por graves crimes durante a última ditadura na Argentina e absolve ao ex presidente De la Rua pelos assassinatos que ordenou antes de sua renúncia, em dezembro do 2001 e ao próprio Macri, pelas graves acusações de espionagem político e econômico. “O governo, começando pelo presidente, volta a utilizar a linguagem da ditadura, amplia o poder das Forças Armadas e faz convênios com o Pentágono na Argentina. Estão desarticulando as investigações sobre os responsáveis e beneficiários pela repressão do Plano Condor coordenado pela CIA e o Pentágono em todo o Cone Sul”, expressam.

“Ante esta situação, um conjunto de articulações e lideranças, levantamos nossa voz para exigir liberdade imediata para Milagros Sala e o fim da perseguição às organizações populares”, conclui o comunicado. 

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Edição: José Eduardo Bernardes