Fotografia

Dia Mundial da Fotografia: a história de 10 imagens de luta

Ferramenta de denúncia e memória histórica, a fotografia já foi utilizada para marcar diversos movimentos populares

São Paulo (SP)

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Exército Zapatista - 1994 / Juán Popoca

Nesta sexta (19), é comemorado o Dia Mundial da Fotografia, homenagem à invenção do daguerreótipo, o primeiro processo fotográfico desenvolvido pelo artista e inventor francês Louis Daguerre, em 19 de agosto de 1837.

Mais tarde, em janeiro de 1839, a Academia Francesa de Ciências anunciou a invenção do daguerreótipo mais sofisticado e, em 19 de agosto do mesmo ano, o governo francês considerou a invenção de Daguerre como um presente "grátis para o mundo".

Com seu aprimoramento e democratização, a fotografia se tornou não apenas uma ferramenta para criação de memória histórica, mas como uma forma de denunciar violações de direitos humanos em conflitos e disputas de poder ao redor do mundo. 

Essa arte tem sido motivação de protestos políticos e até mesmo de decisões governamentais, como as fotografias da Guerra do Vietnã, que foram de grande importância para o movimento de contracultura norte-americano. 

Relembre aqui algumas fotos históricas para os movimentos populares e para a esquerda mundial:

1. A Passeata dos Cem Mil - Evandro Teixeira - 1968

Evandro Texeira é um dos principais fotojornalistas brasileiros que registram a repressão da ditadura militar brasileira. A foto acima, clicada durante a Passeata dos Cem Mil, mobilização estudantil pelo fim do regime militar em 1968, tornou-se um símbolo do movimento pela democracia.

Ela foi publicada na primeira página do Jornal do Brasil, veículo onde Teixeira trabalhou por mais de 40 anos.

2. Marina Ginesta no último piso do Hotel Colón Barcelona, durante a Guerra Civil Espanhola - Juan Guzmán - 1936

A jovem guerrilheira Marina Ginesta, nascida na França em 1919, foi clicada pelo fotógrafo Juan Guzman em um dos registros mais simbólicos da Guerra Civil Espanhola.

Marina fazia parte da juventude socialista que lutou contra o nazifascismo na Espanha, após se mudar para o país com seus pais aos 11 anos e poucos anos depois se filiar ao Partido Socialista Unificado da Catalunha. Ela sobreviveu à guerra, vindo a falecer somente em 2014, com 94 anos de idade.

3. A luta pela terra - Sebastião Salgado - 1996

A luta pela terra do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) foi fotografada em um ensaio do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado em 1996. O ensaio foi publicado no livro Terra, publicado em 1997 pela Companhia das Letras.

O livro foi comercializado em conjunto com o CD de mesmo nome do Chico Buarque. Em virtude do projeto ser repleto de imagens de famílias e manifestações sem-terra, Sebastião Salgado decidiu ceder os direitos autorais da edição brasileira ao MST. 

4. Bandeira Soviética no Reichtag -  Yevgeny Khaldei - 1945

Uma das imagens mais icônicas do século 20, o içar da bandeira soviética sobre o Reichstag alemão, em Berlim, marca o momento simbólico da queda do regime nazista pelas tropas soviéticas, em 2 de maio de 1945.

A foto na verdade é uma reconstituição de um primeiro hastear da bandeira, já que a ação já havia acontecido alguns dias antes.

O fotógrafo tirou cerca de 30 fotografias até escolher a imagem que marcaria tomada de Berlim, que foi posteriormente editada com as colunas de fumaça.

Khaldei justificou a manipulação com a necessidade da propaganda contra o regime nazista. O fotógrafo, judeu, perdeu o pai e três irmãs para o nazismo. 

5. Martin Luther King na marcha de Selma a Montgomery - Stephen Somerstein - 1965

 

Stephen Somerstein era um estudante universitário de 24 anos quando fotografou Martin Luther King na marcha de Selma a Montgomery, no Alabama.

As três manifestações (tentativas de marchar por 85 quilômetros que tiveram início no dia 7 de março de 1965) foram um marco no movimento pelos direitos civis dos negros dos Estados Unidos, que levou à aprovação da Lei dos Direitos ao Voto de 1965, uma conquista histórica do movimento negro.

O Movimento pelo Direito ao Voto de Selma foi organizado por afro-americanos locais que formaram a Liga de Eleitores do Condado de Dallas.

Eles pediram a ajuda de Martin Luther King Junior para realizar a marcha que também protestava contra o assassinato do ativista negro Jimmie Lee Jackson, durante uma marcha noturna em Marion, também no Alabama.

Os manifestantes foram duramente reprimidos pela polícia, mas a marcha conquistou atenção midiática nacional, e foi completada no dia 25 de março. 

6. Índia Tuíra encosta seu facão no rosto do diretor da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes - Autoria Desconhecida - 1989

 

Em 1989 ocorreu uma audiência pública em Altamira, Pará, para discutir a construção da Usina Belo Monte - Kararao, localizada no Rio Xingu.

Durante a audiência, percebendo que os gritos dos guerreiros caiapós que criticavam a construção da usina por conta do grande impacto ambiental não eram ouvidos, a india Tuíra encostou a lâmina de seu facão no rosto do então presidente da Eletronorte, José Muniz Lopes.

A índia ainda exigiu explicações do direotr da FUNAI sobre as perseguições que o povo indígena vinha sofrendo na região. 

7. Guerrilheiro Heroico - Alberto Korda - 1960

A icônica imagem de Che Guevara foi clicada pelo fotógrafo cubano Alberto Korda no dia 5 de março de 1960, durante uma cerimônia fúnebre que homenageava as vítimas da explosão de um barco em Havana, Cuba.

O fotógrafou registrava o evento para o jornal Revolución, e fez das versões do revolucionário argentino, uma na horizontal e outra na vertical, mas nenhuma das duas foi utilizada pelo jornal, e o fotógrafo as manteve em seu arquivo pessoal.

Em 1967, enquanto Che combatia o exército boliviano na tentativa de expandir os ideais da Revolução Cubana para toda a América Latina, o editor Gianfranco Feltrinelli contatou Korda em busca de retratos do guerrilheiro, e o fotógrafo o presenteou com duas cópias da fotografia, que foram editadas e espalhadas em cartazes poucos meses depois, quando foi anunciada a morte de Che.

Um ano mais tarde, o artista irlandês Jim Fitzpatrick usou a foto para criar a consagrada imagem em alto contraste, e a registrou em domínio público. 

8. Refugiados do Kosovo - Carol Guzy - 2000

 

Em 2000, a fotógrafa estadunidense Carol Guzy fotografou o refugiado do Kosovo Agim Shala, de dois anos de idade, sendo passado para sua família através de uma cerca de arame farpado.

A fotografia recebeu o Prêmio Pulitzer em 2000 e ganhou mais notoriedade em 2015, com o aumento expressivo do fluxo de refugiados causado pela crise humanitária e migratória mundial.

9. Guerra do Vietnã -  Huynh Cong "Nick" Ut - 1972

A imagem mais famosa da Guerra do Vietnã foi feita pelo fotógrafo Huynh Cong "Nick" Ut, da Associated Press. Na fotografia, a menina Kim Phuc fugia da explosão de uma bomba de Napalm jogada pelo exército norte-americano. 

10. Exército Zapatista - Juán Popoca - 1994

A fotografia do mexicano Juán Popoca mostra a formação do exército Zapatista, inspirado na luta do revolucionário Emiliano Zapata contra o regime autocrático de Porfirio Diáz, na qual a Revolução Mexicana de 1910 foi encadeada.

A partir de 1994, os zapatistas se mostraram para além das montanhas de Chiapas com capuzes pretos e armas nas mãos se posicionando contra o Bloco Econômico do Nafta (acordo de livre comércio entre México, Estados Unidos e Canadá).

O movimento defenda uma festão autônoma e democrática de território, com partilha da terra e da colheita. 

Edição: Camila Rodrigues da Silva