BAILE NA FAVELA

Movimentos de favela fazem baile funk para pedir “fora, Temer”

Organizadores esperam cerca de 2 mil pessoas em evento na Rocinha

Rio de Janeiro (RJ)

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Funkeiros convidam a favela a descer o morro e gritar “fora, Temer” / Foto: Povo Sem Medo

Funkeiros, MCs, DJs e movimentos populares e de favela se uniram para gritar "Fora, Temer", em um grande evento chamado Baile Funk sem Medo. Será realizado no próximo domingo (24), às 17h, na quadra da Roupa Suja, na parte baixa da Rocinha, na zona Sul do Rio de Janeiro.  

“Os bailes de favela vão voltar e o Temer vai ralar”, esse é tema principal do evento que está sendo organizado pela Frente Povo sem Medo, Federação de Favelas (FAFERJ) e Relíquias do Funk, uma entidade que reúne funkeiros tradicionais.

Entre os convidados estão DJ e MCs conhecidos no mundo funk, como os MCs Dolores, Chapa, Danda e Tafarel, Gil do Andaraí, Jr. e Leonardo, entre outros. A estimativa é que cerca de 2 mil pessoas participem desse baile politizado, segundo os organizadores.

Diante do golpe anunciado, que poderá destituir a presidente eleita Dilma Roussef, a população da favela não poderia ficar calada, já que foi uma das mais beneficiadas pelas políticas sociais dos governos do PT.

“A favela nunca aceitou esse golpe, mas se antes não houve manifestação contundente é porque no nosso dia a dia estamos muito mais preocupados com a sobrevivência”, afirma Gabriel Siqueira, representante da Juventude da Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio (Faferj).

Ele destaca ainda que o fato de outras pautas, como a violência policial, estar mais presentes na luta das favelas, não quer dizer que os moradores das comunidades estão fora desse processo. “Nós não aceitamos o golpe. Acontece que precisamos nos defender de tantas outras opressões também. Mas, temos consciência de que esse golpe é contra nós também”, diz Gabriel.

VOLTA DOS BAILES

Outro objetivo do evento é pedir a volta dos bailes funk, ainda proibidos em muitas favelas cariocas. Esse é um movimento que ressurgiu no ano passado e vem ganhando força.

Representante da organização Relíquias do Funk, o Mc Galo é um dos organizadores do evento e um dos funkeiros mais respeitados do Rio de Janeiro, justamente por representar a “velha guarda do funk”.  “Nosso funk é o funk de raiz, que faz críticas sociais, que denuncia a realidade das favelas e mostra o que a mídia quer esconder. É esse funk que estamos resgatando e que estará presente nesse ato do ‘fora, Temer’”, explica Mc Galo.

Sobre o impeachment ele faz questão de destacar que os moradores das favelas estão atentos aos últimos acontecimentos políticos. “A favela está ligada no que está acontecendo, temos consciência de que isso é um golpe”, afirma Mc Galo.

FAVELA VAI DESCER

Muitos atos foram realizados no asfalto para dizer “não ao golpe” e “fora, Temer”. Mas dessa vez é diferente. É um evento na maior favela da América Latina, feito pelos moradores dessas comunidades, com o estilo e a voz da população.

“Somos pioneiros na resistência contra regimes opressores. O Jacarezinho ficou conhecido como a ‘Moscou das favelas’, porque já tinha resistência à ditadura militar em 1964, bem antes do AI 5, de 1968, começar a matar os jovens de classe média”, conta o ativista Gabriel Siqueira. O AI-5 foi um conjunto de medidas tomadas pelo regime militar, para proibir qualquer manifestação política contra a ditadura. Esse foi o mais duro golpe contra a população.

Confira a programação: https://www.facebook.com/events/1054380554610431/