Direitos humanos

28 genocidas são sentenciados à prisão perpétua por crimes na ditadura argentina

Do lado de fora do Tribunal Federal da capital cordobesa, milhares de pessoas celebraram a decisão

São Paulo (SP)

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O julgamento, iniciado em 4 de dezembro de 2014, inclui mais de 700 vítimas; entre elas, estão 365 pessoas que estão desaparecidas ou foram assassinadas / Reprodução

A Justiça argentina botou um novo freio à impunidade pelos crimes cometidos durante a última ditadura cívico militar. Após seis anos da abertura do processo que julga crimes cometidos em Centros Clandestinos de Detenção (CCD) da província de Córdoba, no centro do país, 28 pessoas foram sentenciadas à prisão perpétua e nove a condenações entre três e nove anos por violação aos direitos humanos.

O julgamento iniciado em 4 de dezembro de 2014 inclui o caso de mais de 700 vítimas, sendo que 365 delas estão desaparecidas ou foram assassinadas. Só em 71 casos foi possível recuperar e identificar os corpos.

Nesta oportunidade, o tribunal avaliou os casos de 52 homicídios, 260 sequestros e 656 casos de tortura, e o roubo da neta de Sonia Torres, presidenta de Abuelas de Plaza de Mayo, em Córdoba, sendo a primeira condenação por apropriação de menores na província.

O “Mega Enguiçamento” (forma em que se referem à causa pela magnitude dos implicados) investigou crimes cometidos nos CCD conhecidos como “La Perla”, “Malagueño o Perla Chica”, “Campo de La Ribera”, “D2” (Departamento de Informações da Polícia) e diferentes delegacias da província.

A maioria dos acusados é ou foi membros do Exército e da polícia provincial. Entre os condenados à perpetua, estão alguns agentes emblemáticos da repressão sistemática dos anos 1970, como membros de Gendarmería, que já acumula 12 vereditos por crimes de lesa humanidade.

Do lado de fora do Tribunal Federal da capital cordobesa, milhares de pessoas assistiram à sessão e celebraram a histórica sentença.

* Com informação de Notas.org.ar

Edição: Camila Rodrigues da Silva