Editorial

Dias decisivos para a nação

Só o povo nas ruas vai resgatar a Constituição que o golpe quer jogar no lixo

Curitiba

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Temer representa os endinheirados e quer retirar as classes populares do orçamento / Latuff

Esta semana acontece no Senado o julgamento e a votação do processo de impeachment da presidenta legítima Dilma Rousseff.

Até agora, o governo Temer está confiante, apesar de contar apenas com 54 dos 61 necessários para afastar Rousseff. Será uma semana de conflitos imprevisíveis. Caso não alcance os votos necessários e for afastada do cargo, a presidenta será mais uma mandatária de perfil nacionalista e desenvolvimentista derrubada pela mídia ao lado de setores conservadores – e com sinal verde do governo dos Estados Unidos.

Antes, presidentes como Getúlio Vargas (1945 e 1954), Juscelino (1955) e João Goulart (1964), também foram atacados devido às suas medidas favoráveis ao povo brasileiro, em conjunto com um projeto de industrialização, focados na urbanização e no mercado interno de consumo.

Agora, em 2016, a forma do golpe para derrubar Dilma do poder é o impeachment. Para aprová-lo seria preciso comprovar que houve crime de responsabilidade da presidenta. Mas isso não ocorreu. 

A entrevista de José Eduardo Cardoso, ex-ministro da Justiça e advogado de Dilma, foi direta. Os articulistas do programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, no dia 22 de agosto, buscavam razões políticas para justificar o impeachment. Cardoso reafirmava a palavra “golpe” baseado na ausência de fatos que comprovem o crime de responsabilidade e na velocidade de condução do processo. Os jornalistas ficaram sem resposta.  

O que está em jogo com o golpe contra Dilma é a instalação um programa que não seria eleito nas urnas. Temer representa os endinheirados e quer retirar as classes populares do orçamento. Quer romper projetos na área de moradia, saúde, educação e assistência social.

Frente a isso, os partidos da esquerda e os movimentos populares devem explicar aos trabalhadores o que está em jogo com essas ações golpistas. É preciso apostar na unidade de todas as forças em torno da defesa dos direitos sociais, caso da Previdência, e de uma reforma política. Só o povo nas ruas vai resgatar a Constituição que o golpe quer jogar no lixo.