Oscar

Cineastas abandonam MinC contra perseguição política ao filme 'Aquarius'

Além de dois diretores se retirarem da disputa do Oscar, o cineasta Guilherme Fiúza deixou seu posto de membro do MinC

Redação

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Debandada tem relação com um dos membros da comissão, Marcos Petrucelli, que atacou a equipe do filme Aquarius / Reprodução

O diretor Guilherme Fiúza Zenha, o Gui Fiúza, afirmou nesta quinta-feira (25), por meio das redes sociais, que pediu seu desligamento de comissão do Ministério da Cultura (MinC) que seleciona um filme brasileiro para disputar uma vaga no Oscar. Mesmo sem confirmar o motivo, a baixa engrossa o coro contra possível perseguição do ministério ao filme favorito para a disputa,Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho.

Ontem, a diretora Anna Muylaert desistiu de concorrer à vaga com seu mais novo filme, Mãe Só Há Uma (2016). Na última edição do premio norte-americano, a cineasta foi a escolhida pelo MinC para representar o país com o longa Que Horas Ela Volta? (2015). Outro diretor a abandonar o pleito foi Gabriel Mascaro, com o filme Boi Neon (2016). "É lamentável que o MinC endosse na comissão um membro que se comportou de forma irresponsável e pouco profissional ao fazer declarações contra a equipe do filme Aquarius", disse Mascaro.

A debandada tem relação com um dos membros da comissão, Marcos Petrucelli, que atacou a equipe do filme Aquarius. O longa estreou no Festival de Cannes, onde concorreu à Palma de ouro neste ano. Na ocasião, Kleber, acompanhado de integrantes do elenco, denunciaram o golpe de Estado em curso no Brasil. Petrucelli afirmou, pelas redes sociais, que a ação foi uma “vergonha”.

Para completar o quadro de perseguição ao aplaudido filme de Kleber, o longa recebeu uma censura polêmica do Ministério da Justiça. Proibido para menores, a equipe discordou, alegando não haver motivos para tal. “Esperar completar 18 anos para assistir ao filme Aquarius é muito fácil. Difícil é ter que esperar 16 anos para tentar vencer uma eleição nas urnas”, compartilhou o cineasta pelo facebook. O ministério alegou que o filme teria cenas de “sexo complexo”. A estranha alegação levantou discordância na distribuidora, que entrou com recurso contra a medida, porém, sem efeito.

A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC (exonerada após afastamento de Dilma Rousseff da presidência da República), Ivana Bentes, declarou apoio aos inteegrantes do filme Aquarius pelo Facebook. “E o Oscar vai para os cineastas que estão insurgindo contra a perseguição política do governo interino. O tiro da secretaria do Audiovisual e do Ministério da (In) Justiça está saindo pela culatra.”

“Os produtores do cinema brasileiro estão corajosamente retirando seus filmes em protesto contra a retaliação do governo golpista, que primeiro nomeou para a comissão um jornalista que acha 'vergonhoso' o protesto político contra o governo em Cannes, e segundo, restringiu a classificação de Aquarius a 18 anos numa tentativa de diminuir sua visibilidade e circulação”, completou Ivana.