CONTA OLÍMPICA

Olimpíadas deixam gastos com energia para consumidor carioca pagar

O plano da Light é que a tarifa de todos os usuários aumente cerca de 2% nos próximos meses, sem o reajuste anual

Rio de Janeiro (RJ)

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Aneel analisa pedido de reajuste extraordinário feito pela Light / Divulgação

Os Jogos Olímpicos acabaram, mas não os seus impactos sobre a cidade do Rio de Janeiro e seus moradores. Após os altíssimos gastos com infraestrutura de energia elétrica acumulados durante as Olimpíadas, a conta sobrará para o carioca.  A Light, empresa responsável por distribuir energia em mais de 30 municípios do estado, pediu reajuste extraordinário para este ano, que está sendo analisado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O plano da Light é que a tarifa de todos os usuários aumente cerca de 2% nos próximos meses - sem contar com o reajuste anual. Todos os anos a tarifa de energia elétrica é reajustada no mês de novembro. Em nota, a Light disse que o pedido da revisão tarifária busca “restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro da empresa que sofreu com a antecipação de investimentos em infraestrutura realizados para os Jogos Olímpicos Rio 2016”.

Segundo a Light, seu investimento no sistema elétrico para a Rio 2016 somou R$ 436,1 milhões. Desse total, R$ 234,7 milhões foram pagos pelo governo federal para que a empresa não repartisse a fatura com o consumidor.  A Light argumenta, porém, que este valor destinado pelo governo apenas cobriu gastos com energia temporária e não pagou o investimento real.

De acordo com a empresa, o total de investimento em infraestrutura seria feito com o prazo maior, até 2020 e, portanto, estava planejado para ser incorporado às tarifas no fim de 2018, quando ocorreria um novo reajuste, além dos mensais. O investimento, então, só foi antecipado devido as Olimpíadas.

PREJUÍZO

“Mas a população não tem nada a ver com isso. Então, além do absurdo que vem sendo cobrado, ainda querem jogar na conta do consumidor outro aumento? Eles já sabiam desse investimento e já teriam que estar preparados para ele, não podem querer repassar esse prejuízo para a população agora. A Olimpíada é um evento que dá muito lucro, então por que não jogam para o Comitê Olímpico ou outros investidores que ganharam muito com esses jogos?” questiona Fernando Amorim, pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).

Vale lembrar que, no ano passado, a conta de luz teve aumento de 15,99% em novembro, além de um reajuste extraordinário de 22,5% concedido em março pela Aneel a todas as distribuidoras de energia, porque deixaram de receber os subsídios do governo federal em 2015. Esses aumentos, somados aos gastos que o consumidor tem com as bandeiras tarifárias, que variam de acordo com a produção de energia no país, fizeram com que o consumidor carioca passasse a pagar cerca de 50% a mais por energia no ano passado.

“É um absurdo. Uma falta de respeito com a população. Eles têm que se organizar e pagar. Não é nada justo que o morador da cidade pague a conta da Olimpíada. Não me perguntaram se eu achava bom ou não fazer esse evento, muito menos se podiam aumentar a nossa conta. Mas no final é sempre assim, são os pobres os mais prejudicados”, afirma a cozinheira Maria de Fátima Passos, 61 anos.