Orgânicos

Rio: Camponeses oferecem produtos orgânicos a preços mais acessíveis

Alimentos sem agrotóxicos, produzidos na zona metropolitana, são vendidos diretamente ao consumidor

Rio de Janeiro (RJ)

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Agricultores familiares produzem alimentos sem agrotóxico / MPA

É possível adquirir alimentos orgânicos a um preço acessível? O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) do Rio de Janeiro vem mostrando que sim. Os produtores estão organizando uma forma de venda coletiva de uma cesta de produtos saudáveis. Assim, os camponeses têm a possibilidade de entregar o produto direto ao consumidor. Sem intermediários. Sem a figura do atravessador, ou seja, daquele que lucra com a compra e venda, os alimentos ficam mais baratos.

 “Dessa forma os produtos também chegam mais frescos na mesa do consumidor”, afirma o agricultor e militante do MPA, Humberto Santos Palmeira. Ele garante que os produtos são mais baratos que a maioria daqueles oferecidos em feiras e mercados orgânicos.

COMO FUNCIONA?

Para viabilizar a venda coletiva, o MPA criou o site Cesta Camponesa. “As pessoas podem escolher os produtos através do site. Cada pessoa monta sua cesta como quiser. Nós entregamos nos bairros, mas as pessoas devem estar organizadas em grupos”, explica Humberto.

Cada grupo deve ter no mínimo 10 pessoas e cada pessoa deve fazer uma compra de 50 reais. Os produtos são os mais variados possíveis. Tem arroz branco, integral e vermelho, açúcar mascavo, suco de uva integral, café, banana, alface, chicória, couve, limão. Tudo sem veneno.

Além disso, há ainda outros produtos, como licor, cachaça artesanal e hortaliças não convencionais, como taioba e caruru, dois vegetais que se comem refogados como a couve. “Para esses produtos não convencionais também vamos oferecer no site, a partir de setembro, receitas e dar dicas de outros pratos para combinar. São alimentos que a gente consumia antigamente, mas com o processo de industrialização foram desaparecendo da mesa dos brasileiros”, afirma Humberto Palmeira.

Os camponeses também oferecem uma gama de carnes, de vaca, galinha, pato, coelho, rã e porco. Segundo Humberto, esses produtos nunca estão em falta. Já a alface e o tomate, por exemplo, dependem da época de produção e da chuva.

GRUPOS DE CONSUMIDORES

Para formar um grupo de compra coletiva, primeiro fale com os amigos e vizinhos de bairro e veja quem se interessa. Depois, fale com o MPA através do site. Lá tem uma parte de “contatos”, onde a pessoa deve preencher o cadastro. Depois disso as pessoas são orientadas a formar um grupo no whatsapp, para combinar entre elas e com o entregador qual seria o melhor ponto de encontro no bairro. Nessa página, o MPA disponibiliza a cada mês uma lista de produtos, que é constantemente atualizada.

“A lista para compras fica disponível por cerca de 10 dias, geralmente no início do mês. Nós entregamos a cada 15 dias em cada bairro organizado”, explica o camponês.

O projeto da cesta de produtos saudáveis começou em setembro do ano passado e vem funcionando bem em alguns bairros do Rio, como Estácio, Laranjeiras, Botafogo e Tijuca.

Quem quiser conhecer os sítios de produção também possível. É só avisar que os produtores organizam visitas. A maioria está localizada na região da Baixada e na zona norte fluminense.

www.cestacamponesa.com.br.