Venezuela

Mulheres venezuelanas realizam ato contra o golpe no Brasil

A Praça Morelos, no centro da Caracas, reuniu cerca de 300 mulheres em solidaridade ao povo brasileiro

AlbaTV (Venezulea)

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Umas 300 mulheres se concentraram na Praça Morelos, centro da Caracas / LD/ AlbaTV

As ruas de Caracas, capital venezuelana, foram cenário de novas manifestações de apoio ao povo brasileiro, na última terça-feira (6). No mesmo dia em que Dilma abandonou o Palácio da Alvorada com destino a Porto Alegre, deixando finalmente Brasília (DF), mulheres venezuelanas convocadas pela União Nacional de Mulheres (UnaMujer) e pelo Ministério do Poder Popular para Mulher e pela Igualdade de Gênero, combinaram um ato para expressar solidariedade e o apoio ao país irmão.

Cerca de 300 mulheres se concentraram na Praça Morelos, centro da cidade. Com musicas e gritos de ordem, o ato teve como objetivo denunciar a ofensiva neoliberal que ameaça os projetos de integração latino-americanos e somar vozes às denuncias internacionais do golpe parlamentar que quebrou a ordem democrática em terras brasileiras.

Estiveram presentes diversas organizações populares e também a vice-ministra para Proteção Social dos Direitos das Mulheres, Gladys Requeña, que comentou a ofensiva da direita na região. “O capital nacional, regional e internacional é aliado. Tem aí uma grande aliança para desestabilizar a região, a América Latina e o Caribe, assim como também qualquer outra região onde avancem processos libertários, processos nacionalistas, processos a favor dos direitos dos povos”, afirmou a vice-ministra.

Para Keila Salazar, integrante de UnaMujer, existe um compromisso revolucionário de solidariedade entre os povos, mas também de concretização das mudanças. “A importância, como dizia o comandante Chávez, é a unidade de todos os povos da América Latina. E uma das principais tarefas é o fortalecimento dos meios de comunicação, para que levem uma visão verdadeira dos progressos que temos tido com a revolução bolivariana e com a união de todos os povos da América Latina”, disse Salazar.

O processo de impeachment da presidenta Dilma não só violou a ordem parlamentar, mas também foi expressão do machismo e da misoginia, destacou María León, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Segundo a responsável pelo setor de mulheres do PSUV, a solidariedade e o apoio das mulheres da Venezuela implica em garantir o avanço nas lutas pelo empoderamento das mulheres. “O mais bonito que temos visto neste anos é, precisamente, as mulheres ocupando um lugar no espaço que antes nos era negado. E Dilma é uma destas expressões. Como mulher latino-americana e caribenha, dá orgulho ver a uma de nós, que resistiu à tortura, a perseguição, que tem acumulado força moral e se tornou presidente do povo brasileiro. Verdadeiramente, a gente se sente parte dela, e ela é parte da gente”, afirmou.

Ana Emilia Borba, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), participou do ato e agradeceu a solidariedade das mulheres venezuelanas. “Aproveitamos a atividade para denunciar ao governo ilegítimo, que tem criminalizado os movimentos populares. E denunciar a violência praticada pelo golpista Temer nos protestos, que tem reprimido duramente o povo”.

“Sabemos que os golpes na América Latina são tentativas de privatizar a nossa soberania, de barrar a participação popular. Mas o povo esta na rua, na luta permanente”, concluiu Borba.



Tradução: Maria Julia Giménez

Edição: José Eduardo Bernardes