Opinião

A resistência indígena contra os caubóis do petróleo nos EUA

Nativos se mobilizam contra a construção de um oleoduto em Dakota do Norte; polícia tem reprimido protestos

Via OperaMundi |
 Manifestantes marcham em direção a canteiro de obras do oleoduto na Dakota do Norte, nos EUA
Manifestantes marcham em direção a canteiro de obras do oleoduto na Dakota do Norte, nos EUA - Reprodução Facebook / Dallas Goldtooth

A cavalo, com os rostos pintados de preto e amarelo, os Lakota Hunkpapa, descendentes diretos do cacique Touro Sentado, combatem contra os novos caubóis da energia fóssil e suas infraestruturas. “Sob esta terra estão sepultados nossos antepassados. E em um único dia de obras esta terra sagrada se transformou em um buraco”.

A tribo Sioux não hesita em definir como “resistência” a luta contra o oleoduto subterrâneo no Estado de Dakota do Norte, nos EUA, e convoca todas as outras tribos, propondo de hospedar ali o National Powwow, o encontro anual dos líderes indígenas do país. Acampados desde janeiro de 2016 no Sacred Stone Camp (Campo da Pedra Sagrada, em tradução livre), no meio da reserva onde o projeto prevê a passagem do oleoduto, os indígenas aguardam a decisão do Judiciário norte-americano sobre a suspensão ou o prosseguimento das obras.

A audiência será realizada no dia 9 de setembro, e enquanto isso seguem os protestos e os confrontos: até agora, 20 pessoas foram presas, já que o xerife Kyle Kirchmeier considera ilegal o protesto dos indígenas. E enquanto ativistas ambientalistas se unem aos nativos da América do Norte na tentativa de bloquear os canteiros de obra e na ocupação da zona, o governador da Dakota do Norte, Jack Dalrympe, declarou estado de emergência por motivas de segurança pública devido à resistência indígena.

A empresa petrolífera Energy Transfer, parceira do Texas, escolheu aquela terra sagrada para construir o DAPL (Dakota Access Pipeline): um oleoduto subterrâneo de 1.900 quilômetros de extensão que deve chegar ao Estado de Illinois. Para construí-lo, serão gastos 3,7 bilhões de dólares. Em caso de rompimento do oleoduto, o risco é bem mais grave do que a mera profanação das terras sagradas dos Sioux: um incidente poderia poluir as águas do rio Missouri, e portanto comprometer os recursos hídricos da população.

Portanto, explicam os ativistas, a construção do DAPL é uma violação do Tratado de Fort Laramie, de 1868, por meio do qual o governo norte-americano se comprometeu com os nativos a “garantir perpetuamente a utilização dos recursos hídricos” da região em que vivem. Apesar disso, assim que o Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA liberou a construção, as obras foram iniciadas sob a proteção da polícia do Estado e do xerife Kirchmeier.

“Somente quando terão poluído o último rio, desmatado a última árvore e pescado o último peixe, se darão conta de não poder comer o dinheiro acumulado em seus bancos”, diz a sabedoria indígena norte-americana. Esta já é considerada, inclusive, a primeira prova de fogo dos Estados Unidos após ratificar o acordo climático de Paris com a promessa de mudar de rumo em relação às políticas ambientais.

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