MONOPÓLIO

Seleção do Uruguai contra o monopólio sobre o futebol do país

Empresa que negocia material esportivo e transmissão dos jogos é alvo de protestos

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"Há clubes do país que devem seis meses de salário aos atletas."
“Há clubes do país que devem seis meses de salário aos atletas.” | Crédito: "Há clubes do país que devem seis meses de salário aos atletas."

O mês de agosto foi de tempestade no Rio da Prata. As principais estrelas da seleção uruguaia de futebol ameaçaram não vestir a camisa da Celeste, num protesto em defesa do futebol do país e contra o monopólio da Tenfield sobre os direitos da seleção. Há 18 anos a empresa negocia tudo: desde o material esportivo, passando por patrocínios, direitos de imagem dos atletas e a transmissão de jogos na televisão. Uma nota pública divulgada pelos jogadores diz ser urgente democratizar as estruturas da Associação Uruguaia de Futebol (AUF) para que a instituição sirva melhor ao futebol do país.

O embate veio à tona em agosto, quando o zagueiro e capitão Diego Godín publicou nas redes sociais a nota afirmando que os atletas da seleção estão lutando para reestruturar, profissionalizar e democratizar o futebol uruguaio. "Só assim [a AUF] se libertará da submissão a interesses alheios e não seguirá vendendo seu rico patrimônio a baixo preço", diz o manifesto, compartilhado e apoiado por Diego Lugano, Diego Forlán, "Loco" Abreu, Cavani, Luis Suárez e outros, que receberam apoio da torcida.

O protesto ocorre neste momento porque o contrato da Tenfield com a AUF se encerra em 31 de dezembro deste ano, assim como os contratos firmados pela intermediária com outras empresas (Coca Cola, Puma e a TV a cabo Equital – única transmissora dos jogos da seleção). De olho no fim do contrato, a Nike fez uma oferta de US$ 3,5 milhões por ano para fornecer material e ter sua marca estampada na Celeste. A proposta é bem maior do que a da concorrente Puma, fornecedora há 10 anos e que busca a renovação do contrato. Hoje a empresa paga US$ 750 mil anuais. A oferta foi feita diretamente a AUF, não envolvendo a Tenfield.

Apesar da diferença de valores os cartolas uruguaios "não conseguiram" decidir por que marca optar. Atletas denunciam pressão da Tenfield sobre os cartolas. A intermediadora quer renovar o contrato com a AUF para continuar explorando os direitos de imagem da Celeste. Mas os jogadores são contra. Reclamam que a empresa não repassa recursos para a AUF e repassam pouquíssimo para os clubes e jogadores do país. A consequência é o endividamento dos clubes, que acabam pedindo ajuda à própria Tenfield, tornando-se devedores da empresa. E por isso a AUF e os clubes têm dificuldade de confrontar os interesses da Tenfield. Segundo a Mutual Uruguaya de Futbolistas Profesionales (MUFP, o sindicato de jogadores do Uruguai), há clubes do país que devem seis meses de salário aos atletas.

Diante do quadro, as principais estrelas da seleção disseram que, caso a AUF não aceite a melhor oferta, eles não permitirão que a Tenfield explore seus direitos de imagem. Na prática, isso impossibilita que eles atuem pela Celeste ou que tenham suas imagens exibidas nas transmissões de televisão. Nenhum desses atletas é patrocinado pela Nike. Suárez e Forlán são patrocinados pela Adidas, principal concorrente da Nike. Godín é patrocinado pela própria Puma. E Lugano pinta suas chuteiras de preto.

Editado por: Redação

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