Meio ambiente

Dia da Árvore: a luta da agroecologia contra o agronegócio

Engenheira florestal Patricia Dias Tavares compara ameaças ambientais do passado e do presente

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Apesar da magnificência da diversidade florestal do território brasileiro, seu ataque tem sido uma constante / Reprodução

Nesta quarta (21), que antecede o início da primavera, comemora-se o Dia da Árvore, que tem como objetivo refletir sobre a importância de preservar as árvores e as florestas, e de reduzir o desmatamento e a poluição que afeta todo o mundo.

Esse debate é ainda mais importante no Brasil, um país de tamanho continental que possui uma das maiores biodiversidades do mundo, com sete biomas que se distinguem pelas suas características de solo, clima, relevo, expressando diferentes coberturas vegetais. Como argumenta a engenheira florestal Patricia Dias Tavares, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e doutoranda em Ciências Ambientais e Florestais, o Brasil tem um preocupante histórico de séculos de destruição da natureza, que nos obriga a buscar novas formas de relação e uso dos bens naturais. 

“Desde a colonização europeia, a gente vive um processo de destruição da Mata Atlântica, que vai do litoral para o interior do território. Então, desde essa época, os modelos de exploração e de geração de renda estão pautados por esses modelo que retira recursos naturais e estabelece plantações com a tecnologia que podemos chamar de plantation ou de modelo agroexportador.  Começou com a entrega de terras aos ‘amigos da coroa’ para exportação de cana, de açúcar, de algodão e de outros tipos de culturas. Depois, veio o café e a exploração de pastagens”, explicou a professora.

Segundo ela, o agronegócio atual é a reprodução deste mesmo modelo de exploração de quando o país era uma colônia, “com uma nova cara, um novo nome”.

“O modelo vai reconfigurando sua perspectiva por conta da modernização, mas a abordagem é a mesma: concentração fundiária, exploração dos recursos naturais, previsão de aumentos na geração de lucros concentrados em poucas mãos, atendendo a um modelo econômico que é mundial”, agregou.

Mas, como explicou a pesquisadora, com este modelo de exploração não só devastou e eliminou recursos naturais, como destruiu culturas.

"Existiam, e em alguns lugares ainda existem, grupos sociais que habitavam este lugar antes de ser intensamente explorado. Assim como aconteceu em outros países de América Latina e do mundo, o modelo de desenvolvimento não contemplava as demandas especificas locais, e isso gerou um impacto social muito grande", dissertou.

Segundo Tavares, existem outras propostas e princípios para se estabelecer uma nova relação com a floresta, e a natureza como um todo integrado com as práticas sociais. "A agroecologia é uma proposta para trabalhar de forma mais articulada a conservação com a exploração e o uso dos recursos, baseada na realidade local e na diversidade que a gente tem. A gente vê que, quando se separam essas duas propostas, se destrói os recursos naturais, e aí estão as florestas e tudo o que tem dentro dela: os animais, a água, o solo e, ao mesmo tempo, os saberes das populações que estão aí inseridas", sugere.

Edição: Camila Rodrigues da Silva