EUA

Morte de mais um cidadão negro por policiais gera protestos na Carolina do Norte

Familiares contestam a versão da polícia que Keith Scott estava armado e representava perigo aos agentes

OperaMundi

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De acordo com a polícia, os agentes tinham ido ao edifício para executar um mandado de prisão contra outro homem, que não foi encontrado. / @Pooja Pasupula via Twitter

A morte de um mais um homem negro pela polícia gerou protestos nesta terça-feira (20) e na quarta-feira (21) na cidade de Charlotte, no estado norte-americano da Carolina do Norte.

A tensão em Charlotte começou quando policiais mataram Keith Lamont Scott, um negro de 43 anos, no estacionamento de um edifício. De acordo com os agentes, o homem estava armado e "representava uma ameaça de morte iminente" para os policiais.

"O sujeito saiu do veículo com uma arma de fogo que representava uma ameaça de morte iminente para os agentes, que seguidamente dispararam suas armas", informou a polícia de Charlotte por meio de um comunicado.

De acordo com a polícia, os agentes tinham ido ao edifício para executar um mandado de prisão contra outro homem, que não foi encontrado.

Familiares de Scott, no entanto, negaram que ele estivesse armado e disseram que a vítima levava um livro que estava lendo enquanto esperava seu filho que retornava da escola.

O policial que matou Scott foi identificado como Brentley Vinson e, segundo veículos de imprensa locais, também seria negro.

Nos protestos de terça-feira, manifestantes levavam cartazes com os dizeres: "Parem de nos matar", "sem justiça não há paz" e "as vidas dos negros também importam".

A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que atiraram garrafas e pedras contra os agentes.

Manifestantes voltaram a se reunir nas primeiras horas de quarta-feira (21/09), quando trancaram a Rodovia Interestadual 85.

Durante os confrontos, ao menos sete pessoas ficaram feridas, de acordo com a emissora WSOC, e cinco foram detidas.

A prefeita de Charlotte, a maior cidade da Carolina do Norte com mais de 825 mil habitantes e 35% da população negra, Jennifer Roberts, disse que a comunidade "merece respostas" e prometeu uma "investigação completa".

O caso ocorre em meio a um clima de tensão racial que cresceu nos últimos dois anos pela morte de dezenas de negros por policiais brancos e dias depois que uma agente matou um afro-americano desarmado em Oklahoma.