Pecuária

"Atlas da Carne", lançado nesta quinta, relaciona produção industrial e desigualdade

Relatório relaciona a produção industrial de carne com as mudanças climáticas e desigualdade social

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Convite do evento do lançamento do Atlas da Carne em português, que acontecerá nesta quinta-feira (29), em São Paulo / Reprodução

O Atlas da Carne - Fatos e números sobre os animais que comemos terá o lançamento da sua publicação em português nesta quinta-feira (29), às 18h, no Espacio 945, localizado na zona central de São Paulo (SP).

O relatório (disponível para baixar aqui), elaborado por pesquisadores do Brasil, Chile, México e da Alemanha, mapeia a produção industrial de carne no mundo e analisa como ela atinge os recursos hídricos e os solos, influenciando as mudanças climáticas o aumento da desigualdade social. A publicação é da fundação alemã Heinrich Böll Stiftung.

O evento também contará com o lançamento do livro Cadeia industrial da Carne - Compartilhando ideias e estratégias sobre o enfrentamento do complexo industrial global da carne, produzido pela FASE, e com um coquetel com a participação do DJ Peron. As inscrições podem ser feitas através do email info@br.boell.org.

Carne e fome

O Atlas da Carne revela também a relação entre a criação animal em escala industrial com a fome no mundo, já que produção intensiva é considerada mais importante que o suprimento das necessidades nutricionais de cada país. Outro impacto do avanço da pecuária sobre as terras, segundo o relatório, é a perda da biodiversidade.

Gráfico do Atlas da CarneA publicação, que já havia sido lançada em espanhol, inglês, francês e alemão, busca disseminar alternativas ao modelo predador da pecuária mundial.

Segundo o Atlas, se o consumo de carne continuar crescendo, os pecuaristas terão que produzir 150 milhões de toneladas extra de carne até 2050, o que agravaria todas os impactos no meio ambiente.

Brasil

O país é um dos grandes responsáveis por esse impacto, uma vez que possui uma das maiores produções mundiais de carne e a maior produção de soja, grão utilizado principalmente para alimentação dos animais para abate. A maior empresa processadora de carne do mundo, a JBS/Friboi, também é brasileira, com um faturamento anual de cerca de US$ 51 bilhões.

Além disso, a produção de soja e de carne no país envolve questões como a crise hídrica, com o gasto de 15 mil litros de água para cada quilo de carne produzida,  a contaminação da população com os grandes níveis de agrotóxicos utilizados no processo, e os conflitos no campo, motivados pela ganância dos produtores, que causam a sistemática expulsão de pequenos agricultores e assassinato de líderes camponeses e indígenas no país. A produção da soja também é responsável por grande parte do desmatamento na Amazônia, Cerrado e no Pantanal.Dessa forma, as reflexões sobre como implementar uma pecuária "ecológica, social e ética", trazidas pelo Atlas, serão discutidas no evento de lançamento, que contará com a presença de representantes das ONGs Repórter Brasil, FASE, e do programa de Justiça Socioambiental da Fundação Heinrich Böll Stiftung.

Confira a versão em áudio da reportagem (para baixar o arquivo, clique na seta à esquerda do botão compartilhar):