ELEIÇÕES

Família Coelho volta ao poder em Petrolina

Domínio político dos Coelho sobre Petrolina data dos anos 1800.

Recife (PE)

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Oligarquia: o deputado estadual Miguel Coelho (PSB) foi o herdeiro que assumiu um espólio político de décadas de domínio na região. / Divulgação

No último domingo (1º) a tradicional família Coelho foi eleita para assumir novamente o poder em Petrolina, maior cidade do Sertão pernambucano. O deputado estadual Miguel Coelho (PSB) foi o herdeiro que assumiu um espólio político de décadas de domínio na região. Seu pai, Fernando Bezerra Coelho, é senador pelo PSB; e seu irmão, Fernando Bezerra Coelho Filho (também PSB) é o atual ministro da Integração do governo Michel Temer. A atuação política da família na cidade data dos anos 1800, numa trajetória marcada pelo coronelismo e, mais recente, suporte à Ditadura Militar.

A primeira figura notória da família Coelho a exercer domínio local foi Clementino de Souza Coelho (1885-1952), conhecido na região como Coronel Quelê, latifundiário e industrial reconhecido como “chefe político” de Petrolina e região. Um dos seus filhos, Nilo Coelho, morou na Bahia mudou-se para Petrolina com o objetivo de construir sua carreira política. E conseguiu: deputado estadual (1947-51) e federal (1951-66), aliou-se aos militares no golpe e ditadura instalada a partir de 1964. O General Castelo Branco nomeou Nilo governador de Pernambuco (1967-71) e, em seguida, senador (1978-83).

Um dos sobrinhos de Nilo é Fernando Bezerra Coelho, pai do recém-eleito prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. Fernando Bezerra também iniciou sua carreira política como deputado estadual (1983-1987). Seguindo o a trilha do tio, foi eleito para a Câmara Federal (1987-1992), de onde saiu para ser prefeito de Petrolina (1993-1997). Tentou alçar voos mais altos, como vice-governador, mas acabou derrotado e voltou a se candidatar à Prefeitura, levando os Coelho mais uma vez ao Executivo municipal (2001-05).

Eleito senador em 2010, FBC foi nomeado ministro da Integração Nacional anos depois. Antes, presidiu o Complexo Portuário de Suape, nomeado pelo então governador Eduardo Campos. É pela gestão de Suape que Bezerra Coelho é investigado na Operação Lava-Jato. As suspeitas da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República (PGR) são de que FBC recebeu R$ 41,5 milhões de propina em contratos com as construtoras Queiroz Galvão, OAS e Camargo Corrêa. O valor teria sido desviado da construção da Refinaria Abreu e Lima entre os anos 2011 e 2012. A PGR acusa o senador de dezenas de operações de lavagem de dinheiro, num esquema para financiar a campanha do então governador Eduardo Campos (PSB).

O filho mais velho de FBC é Fernando Filho. Eleito deputado federal desde 2006, tentou recuperar para a família a Prefeitura de Petrolina em 2012, mas acabou derrotado pelo então prefeito Julio Lóssio (PMDB). Nomeado por Michel Temer, Fernando Filho é o atual ministro da Integração, pasta gerida pelo seu pai anos antes. O espólio de votos da família serviu de base para os Coelho retomarem a administração mais importante da região – que na prática, já era dominada pela família há mais de cem anos. Miguel foi eleito com 60,5 mil votos (38,8%), tendo como vice-prefeita Luska Portela, do partido Democratas – o mesmo partido que há 40 anos, ainda sob a sigla ARENA, sustentou a ditadura militar e nomeou Nilo Coelho governador de Pernambuco.