EDITORIAL

O Recife precisa ser do povo de novo

Disputa de projetos marca o segundo turno das eleições no Recife
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Recife (PE)

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Geraldo Julio (PSB) e João Paulo (PT) continuam na disputa pela Prefeitura da capital pernambucana. / Társio Alves/Divulgação.

No próximo dia 30 de outubro acontece o segundo turno das eleições para definir os prefeitos de 55 cidades do Brasil. Em Pernambuco, as campanhas eleitorais continuam em quatro grandes cidades: no Recife, segue a disputa entre os candidatos Geraldo Julio (PSB), atual prefeito, e João Paulo (PT), ex-prefeito da cidade, além das cidades de Olinda, Jaboatão e Caruaru. O resultado do último domingo (02/10) dá continuidade à velha disputa na capital pernambucana entre projetos políticos que representam, de um lado, os “bons costumes europeus” da sociedade ligada ao açúcar e de comerciantes que estampavam elegância em cafés e boutiques da Rua Nova e, de outro, os anseios e necessidades dos moradores das periferias, fugidos da fome e da seca do interior que chegavam ao Recife no início dos anos 1900.

Nesse período em que o Brasil acabava de sair do império, os prefeitos das cidades eram indicados pelo governador do estado e, apesar dessa prática ter perdurado até 1950, o Recife ainda sofre as consequências dessa época. A exemplo da gestão de Geraldo Julio (PSB), também conhecido como “prefeito das empreiteiras” e “afilhado” do ex-governador Eduardo Campos. Durante quase quatro anos ele agiu em favor de grandes empresas do mercado imobiliário, das construtoras e do consórcio de transporte urbano, deixando em último plano as demandas das trabalhadoras e trabalhadores que sofrem as consequências de uma gestão marcada pelo retrocesso no diálogo com o povo, deixando-o alheio aos rumos da saúde, educação, cultura, esporte e lazer na sua cidade.

Em oposição a esse cenário, João Paulo (PT), quando prefeito, teve a coragem de tirar do papel e do discurso as palavras “participação popular”, dando ao povo recifense o direito de decidir onde seus impostos seriam gastos, através da abertura de canais de diálogo como a Secretaria de Orçamento Participativo (OP), ou seja, o direito dos cidadãos e cidadãs participarem ativamente de sua cidade. Nas suas gestões como prefeito conquistou 88% da aprovação popular, resultado do seu compromisso político com o povo historicamente excluído das políticas públicas e das decisões. As propostas que vão orientar as ações do candidato foram construídas em 12 rodas de diálogo temáticas (cirandas da juventude, mulheres, da pessoa idosa, igualdade racial, diversidade, cidade sustentável, etc) e contou com a participação de mais de duas mil pessoas de diversos setores da sociedade.

O Recife é de um povo nascido dos mocambos, mergulhados em mangues e sobre morros, que resistiram à estreiteza das capitanias de famílias falsamente modernas e coronéis políticos. Os desafios de transformação da vida desse povo brasileiro são maiores do que os votos nas urnas podem oferecer, mas o enfrentamento dos próximos dias entre as candidaturas que vão disputar o segundo turno das eleições municipais coloca nas mãos dos recifenses a possibilidade de optar pela continuidade de uma cidade das empreiteiras e de políticos apadrinhados ou se o Recife será do povo de novo!