Editorial

Vitória dos conservadores

Caminho contra retirada de direitos é a greve

Belo Horizonte (MG)

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Após eleição Temer virá com rolo compressor / Brasil de Fato MG

Muitas lições podem ser tiradas das eleições. Duas se destacam. A primeira é que medidas neoliberais de retirada de direitos tendem a se aprofundar, afinal foram eleitos candidatos mais conservadores. A segunda, é que ficou ainda mais exposta a falência do nosso sistema político, com crescimento dos votos brancos, nulos e abstenções. Não é para menos. As atuais regras da política favorecem que sejam eleitos quem tem dinheiro, ou quem seja amigo de quem tem. A credibilidade é pouca porque nenhum candidato é obrigado a se comprometer com as propostas que apresenta na campanha. O debate no período eleitoral é menos de ideias e de projeto, e mais sobre a pessoa do candidato.

O que nos espera é assustador. Afinal, a maior parte dos prefeitos eleitos apoiam as medidas neoliberais do governo do presidente não eleito Michel Temer. As propostas que saem das bocas dos seus ministros sucateiam o estado e as políticas públicas. O ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM/PE), aquele que recebeu o ator pornô Alexandre Frota logo que assumiu, promete empurrar garganta abaixo uma reforma do ensino médio que sucateia ainda mais o ensino. O ministro do trabalho fala em aumentar a jornada de trabalho para 12 horas e a aposentadoria para 65 anos.

Os deputados caminham para aprovar a PL 4962/2016 que privilegia o negociado sobre o legislado (Férias, salário, 13º e FGTS vão para o beleléu). O Ministro Geddel Vieira defendeu publicamente o Projeto de Lei que anistia caixa dois aos políticos que foram beneficiados no passado. Segue o (des)governo anunciando temeridades, ora desculpando-se, ora enganando, ora fazendo jogo duplo e sempre ganhando tempo para confundir o eleitorado.

Seguraram as medidas impopulares até as eleições municipais, agora prometem vir com o rolo compressor. O Ministro da Fazenda Henrique Meirelles quer às pressas aprovar a Proposta de Emenda Constitucional 241/2016 para impor limites aos gastos públicos, tais como saúde e educação por incríveis 20 (vinte) anos.

Por isso só resta aos trabalhadores(as) brasileiros(as) o caminho do enfrentamento grevista enquanto único diálogo que impõe medo aos de cima. E, também por isso, a luta por uma Constituinte se coloca como uma bandeira essencial na perspectiva de refundarmos as instituições políticas no Brasil, garantindo efetivamente a participação popular no controle do Estado.