Coluna

O golpe administra o ritmo das maldades

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É preciso jogar todas as nossas energias para enfrentar essa ofensiva

Pressionado pelas forças econômicas que o patrocinaram, o governo golpista sabe que implementar o conjunto de medidas que lhe exigem inevitavelmente implicará em impactos sociais que podem desembocar em uma situação de explosividade social.

A PEC 241, que define o teto dos gastos, é similar ao Ato Institucional nº 1, da Ditadura Militar, que também definia um teto para gastos público. O mesmo arsenal midiático utilizado para proporcionar o recente golpe é acionado para justificá-la, para saudar a rapidez da aprovação da emenda em primeiro turno na Câmara dos Deputados.

Mais uma vez, comprovamos que a mídia, com destaque para a Rede Globo, é um verdadeiro partido, atuando como centro organizador do conjunto de interesses econômicos que constroem o golpe. Ao cumprir o roteiro da pauta neoliberal, Temer volta a ganhar elogios e espaços midiáticos.

Sabem a importância da rapidez. Precisam aproveitar ao máximo o atual momento, em que a derrota política ante a consumação do golpe e a derrota nas eleições municipais deixam o campo democrático e as forças populares atônitas. Aceleram os ataques ao Presidente Lula. Sabem que é preciso aproveitar a ofensiva, antes que a inevitável impopularidade que irão acarretar comece a ganhar forma.

Administração do mal

Evidente que esses grupos não pretendem facilitar a construção de uma greve geral, que representará a principal resposta contra o golpe. Portanto, seguirão administrando as medidas que atacam mais diretamente os trabalhadores, como a Reforma da Previdência e a Terceirização, visando dificultar a denúncia e uma paralisação nacional.

Por maior que seja o alcance dos poderosos meios de comunicação de massas de que dispõem, sabem que sua capacidade de construir consensos é efêmera. Podem obscurecer os fatos, gerar mistificações, mas não conseguem manter a farsa por muito tempo. Por isso, aproveitar os primeiros meses após o golpe é decisivo.

Além disso, apostam numa recuperação econômica a partir de 2017. Sabem que uma relativa melhora das condições externas, somada aos cortes sociais, rebaixamento da renda do trabalho e privatizações, podem proporcionar resultados econômicos favoráveis, ainda que aprofundem as desigualdades e afetem as condições de vida do povo. Eles precisam conformar uma base social de apoio e, especialmente, manter e consolidar o respaldo da alta "classe média".

Momento histórico decisivo

Conscientes de que os golpistas precisam acelerar sua ofensiva, as forças populares não devem entrar em pânico. É preciso saber recompor nossas forças, investir na organização de nossas construções unitárias, manter, naquilo que pudermos, mobilizações em defesa dos direitos que pretendem retirar, investir em cursos de formação e, principalmente, manter nossas convicções ideológicas.

Claro que a multiplicidade de ataques que a direita pode deflagrar, ante a maioria congressual que possui, tende a nos fragmentar e pulverizar na capacidade de respostas. E, exatamente por essa razão, a existência de uma ferramenta política que conforme a unidade das forças populares ganha imensa importância.

Teremos muitos embates pela frente, parte da estratégia deles é amplificar ao máximo nosso sentimento de derrota, nos fazendo crer que somos ainda mais fracos do que realmente somos.

Sem cair no desespero, que ajuda a desanimar, precisamos ter a clara percepção do decisivo momento histórico que estamos atravessando. É preciso jogar todas as nossas energias, toda nossa capacidade e experiência adquirida ao longo de muitas lutas populares para enfrentar essa ofensiva. E acima de tudo, saber construir e preservar nossa unidade.

* Ricardo Gebrim é da direção nacional da Consulta Popular, organização que integra a Frente Brasil Popular.