Justiça

Repórter estadunidense Amy Goodman é inocentada da acusação de motim em ato indígena

Juiz rejeitou as queixas contra a jornalista do telejornal Democracy Now, nesta segunda-feira (17)

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

,
Amy Goodman foi acusada após filmar os guardas que faziam a segurança do oleoduto utilizando cães e spray de pimenta contra os manifestantes / Democracy Now/ Reprodução

A jornalista estadunidense Amy Goodman, repórter veterana do telejornal independente Democracy Now, foi acusada de invasão de propriedade e incitamento a motins por cobrir, no dia 3 de setembro, a luta indígena contra a construção de um mega-oleoduto (Dakota Access Pipeline) sobre suas reservas no estado da Dakota do Norte. As queixas renderam protestos e críticas de apoiadores da jornalista, que foi inocentada pelo juiz John Grinsteiner nesta segunda-feira (17).

Goodman foi acusada após filmar os guardas que faziam a segurança do oleoduto utilizando cães e spray de pimenta nos manifestantes nativo-americanos. Autoridades locais emitiram um mandado para a prisão da repórter, alegando que ela participou do "tumulto", uma acusação que poderia resultar em pena de meses na prisão.

Ontem a jornalista transmitiu ao vivo um vídeo da cidade de Manda, em frente à corte do condado de Morton, afirmando que várias pessoas apareceriam para enfrentar acusações relacionadas às manifestações de resistência à construção do oleoduto de 3,8 bilhões de dólares da Dakota Access. "Dezenas de pessoas que se autodenominam protetores, e não manifestantes, foram presas nos últimos meses por fazerem oposição à construção do oleoduto".

O juiz determinou que o Estado não possuía causas suficientes para mover a acusação e bloqueou o avanço dos promotores. A decisão foi considerada uma grande vitória para a liberdade de imprensa do país. Após o resultado no tribunal, a jornalista afirmou que a "decisão do juiz de rejeitar a tentativa do procurador de acusar uma jornalista, é um reconhecimento enorme da Primeira Emenda" - legislação norte-americana que diz respeito à liberdade de expressão e de imprensa.

Após o anúncio da acusação, a reportagem foi repercutida em canais de grande audiência da televisão norte-americana, sendo assistida por milhões de pessoas, apesar de nenhum jornalista dos respectivos canais terem coberto diretamente os protestos. A jornalista decidiu entregar-se ao tribunal para responder pela acusação de invasão de propriedade privada, que foi retirada e substituída pela acusação de incitamento a motins, como forma de intimidação.

“No dia 3 de setembro viemos cobrir esta luta épica dos povos indígenas americanos – em especial as mulheres – na primeira linha do combate não apenas ao Dakota Access Pipeline mas pela justiça climática. O papel do jornalista é ir onde está o silêncio. Todos as mídias deveriam estar lá”, declarou Amy Goodman após o julgamento.

Nos últimos meses dezenas de pessoas que se posicionaram contra a construção do oleoduto já foram presas. Apenas no último sábado (15) foram registradas 14 detenções. O oleoduto em construção já funciona em vários trechos e passa por locais considerados sagrados para os nativo-americanos e por cemitérios dos ancestrais do povo Standing Rock Sioux.

Os membros do Standing Rock Sioux afirmam também que a passagem do oleoduto é um risco para o Rio Missouri, fonte de água para sua população e para milhões de norte-americanos. Eles já tentaram interromper permanentemente a construção do oleoduto por meio de um mandado judicial, mas a corte federal rejeitou seu apelo. O fato desencadeou a onda de protestos da última semana.

Edição: José Eduardo Bernardes