Fotografia

Exposição no Parque Municipal, em BH, debate as várias maneiras de olhar para o outro

Em meio ao verde, retratos de diferentes culturas pegam de surpresa quem passa pelo local

Belo Horizonte

,
36 imagens de seis artistas de vários países buscam divulgar as formas de ver e retratar o outro / Divulgação

Como já diria a música dos Racionais MC’s, “somos o que somos, cores e valores”. Seguindo a canção, até o dia 27 de novembro o Parque Municipal é palco para cores, valores, costumes, etnias e diferentes histórias de vida com a exposição fotográfica Transversal, iniciativa que busca divulgar as diversas formas de ver e retratar as culturas do mundo.

Idealizada pelos artistas visuais Bruno Vilela e Guilherme Cunha, a mostra conta com 36 imagens de seis artistas, espalhadas pelo parque em totens de 2,5 m. A ideia é baseada em construções de retratos tirados por profissionais do México, China, Brasil, Holanda, Guiné e Suíça. 

Arte que busca pessoas

“Isso de notar o desconhecido influenciou tanto a escolha das fotos quanto a do local. O parque é um lugar aberto que resiste, é mais democrático, tem famílias que vão fazer piquenique, casais, moradores de rua, gente que vai fazer exercício. Grupos que não são especialistas em arte e é fundamental para a cidade que essas pessoas participem dessa discussão”, explica Bruno. 

Assim também surgiu o nome da exposição, que, seguindo o conceito matemático de “transversal”, tem o objetivo de criar conexões e ângulos, pontos de vista que antes não existiam. 

Se depender da jovem Dayane Alves, de 25 anos, pega de surpresa pelas faces marcantes das imagens, a finalidade está sendo alcançada. “As fotos da África são sensacionais. Fiquei super interessada em saber mais sobre os personagens, o conceito da exposição”, afirma. Já a senhora Maria das Graças Lopes, de 67 anos, se reconheceu nas imagens e se encantou com a figura das mulheres. “É gente simples, como a gente. Eu até fiquei querendo ser fotografada, eu poderia, né?”, indaga.

Desfazendo preconceitos

De acordo com o também organizador Guilherme Cunha, a mostra deseja ainda esclarecer para os espectadores que o que classificamos como “estranho” é consequência do que é considerado normal para a nossa sociedade. “Para muitas pessoas o esquisito é a gente, e queremos discutir isso em espaços de vida cotidiana, no trânsito, para que seja passada a mensagem de que nossa construção social é feita a partir de conceitos que os poderosos nos impõem. E, geralmente, isso é usado para reduzir o outro”, defende.