SISTEMA POLÍTICO

Editorial - O que as eleições de 2016 têm a nos ensinar

No primeiro turno, batemos o recorde de votos brancos e nulos em eleições municipais, superando os índices de 2012.

Rio de Janeiro (RJ)

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Desinteresse popular pelo processo eleitoral confirma que o nosso sistema político está em crise. / Divulgação

O número de pessoas que não votaram em nenhum candidato a prefeito superou, em muitas capitais do país, o total de votos obtidos pelos candidatos eleitos ou mais votados. A explicação para isso é que, mesmo com alto índice de abstenção, o resultado da eleição para a Prefeitura é definido apenas com base nos votos válidos. Os votos válidos são aqueles efetivamente destinados a um dos candidatos na disputa, ou seja, não incluem brancos, nulos e abstenções. No primeiro turno, batemos o recorde de votos brancos e nulos em eleições municipais, superando os índices de 2012.

Este talvez seja o maior êxito da campanha da direita nos últimos meses: reduzir os votos válidos, através da criminalização da política e dos políticos, principalmente através dos escândalos de corrupção da Operação Lava Jato na mídia conservadora, e de toda a farsa e falta de credibilidade política presentes na condução do golpe.

O resultado da eleição também demonstra que o financiamento empresarial privado continua presente nas disputas eleitorais e, associado ao oligopólio da mídia, prejudica enormemente as candidaturas populares, impedindo que representantes do povo possam se eleger.

O enorme desinteresse popular pelo processo eleitoral, portanto, só confirma que o nosso sistema político está em crise. Mostra que os brasileiros não se sentem representados por essa política que é acentuada por uma legislação eleitoral que caminhou em direção contrária à participação popular.

Por isso queremos uma Assembleia Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político. Ou seja, queremos um fórum composto por representantes do povo para mudar o Sistema Político em sua essência. É o povo que deve decidir sobre os rumos do sistema político brasileiro e não os próprios parlamentares e congressistas de rabo preso; não os representantes dos patrões, dos grandes bancos, das grandes empresas, ou seja, os verdadeiros corruptores que transformam as eleições em um verdadeiro balcão de negócios e não têm nenhum compromisso com a democracia.