ESTADO LAICO

Editorial - Religião não pode se misturar com Prefeitura

É preocupante o grande investimento que a Igreja Universal tem feito para projetar lideranças religiosas

Rio de Janeiro (RJ)

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Candidato Marcelo Crivella (PRB) é Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus / Reprodução

Uma das polêmicas mais comentadas nesse segundo turno das eleições cariocas surge do fato de o candidato Marcelo Crivella (PRB) ter sido Bispo da Igreja Universal. Primeiramente, nenhum problema quanto à opção religiosa de nenhum candidato. Afinal, sabemos que a maioria da população brasileira pratica diversas religiões.

Porém, dois problemas importantes despertam nossas preocupações. Está definido na nossa Constituição que devemos ter um “Estado Laico”. O que isso quer dizer?

Em primeiro lugar, nenhuma religião pode interferir nos assuntos do Estado, ou do município. Nenhuma religião pode utilizar a estrutura do Estado para realizar cultos religiosos e as leis e projetos aprovados não podem ser incentivados por motivos religiosos, de qualquer que seja a religião.

É preocupante o grande investimento que, por exemplo, a Igreja Universal tem feito para projetar lideranças religiosas como dirigentes políticos. Pode ocorrer o risco de uma ocupação de cargos políticos para o favorecimento de projetos que beneficiem especificamente os interesses dessas lideranças. Isso pode fazer com que demandas importantes da sociedade sejam deixadas de lado, pelo fato de não estarem diretamente ligadas aos objetivos desse setor religioso.

Em segundo lugar, a afirmação do Estado Laico também significa a defesa da liberdade religiosa. Quer dizer que qualquer pessoa tem o direito de praticar sua religião, qualquer que seja, sem sofrer nenhum tipo de ataque ou preconceito.

Infelizmente, temos visto muitas lideranças que apoiam o Bispo Crivella se utilizarem de suas posições religiosas para atacar a campanha de Marcelo Freixo (PSOL) e seus eleitores. Para isso, utilizam todo tipo de preconceito, que envolve racismo, machismo, homofobia e preconceito contra a prática de outras religiões que diferem das suas. E é preocupante que esse tipo de prática possa se tornar cotidiana na gestão da prefeitura do Rio.

O que deve definir o voto das pessoas não é a sua religião. O que deve ser avaliado são as propostas para a cidade, quem vai enfrentar os problemas do Rio de Janeiro com maior capacidade de garantir uma vida melhor para toda a população, sem submeter a Prefeitura ao interesse de nenhuma religião.