Educação

UNIFESSPA e campi do IFPA estão ocupados pelos estudantes

Sexta ocupação no estado Pará é realizada por estudantes que se manifestam contra a PEC241

Brasil de Fato | Belém (PA)

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Fachada do campus Castanhal do IFPA após a ocupação dos estudantes nesta terça (25) / Lilian Campelo/Brasil de Fato

Estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA) ocuparam nesta quarta (26) o campus rural de Marabá e fecharam a BR 155, no sudeste do Pará.

O ato deu continuidade às ações desta terça (25), quando universitários de diversos cursos ocuparam o campus central da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), no mesmo município.

O Sindicato Nacional dos Servidores da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) vem apoiando os alunos nas ocupações e estiveram mobilizando os 13 campi dos institutos federais de educação tecnológica; ao todo, são 18 no estado. O primeiro campus a ser ocupado foi de Tucuruí e, em geral, as ocupações ocorreram primeiramente pelo interior do estado.

Somente nesta semana, foram ocupados os campi de Castanhal, Tucuruí e Abaetetuba. O de Belém, que estava sob comando dos estudantes desde o último dia 20, foi desocupado nesta quarta. Em Santarém, Bragança, Itaituba, Conceição do Araguaia e Cametá os estudantes estão realizado atos de manifestação em repúdio às medidas do governo de Michel Temer. As informações são do Sinasefe.

As ocupações realizadas pelos estudantes fazem parte de um movimento nacional e que tomou conta de norte a sul do país em protesto contra a Proposta de Emenda Constitucional 241 (PEC 241) e a reforma do ensino médio.

Campus Rural Marabá

A estudante Fabiana de Brito, 19, do curso técnico em agropecuária e integrante do grêmio estudantil no campus Marabá, conta que os alunos manterão a ocupação por tempo indeterminado. Pela manhã, alunos e alunas fecharam a guarita e não permitiram que os servidores adentrassem nas dependências. Ela avalia que, caso a PEC venha a ser aprovada no Senado, "as portas do instituto serão fechadas".

Amanda Ribeiro, professora de informática e delegada sindical do Sinasefe, conta que o campus enfrenta dificuldades para atender o quantitativo de alunos que existe atualmente. Com cerca de 300 estudantes, o campus possui uma área de pouco mais de cinco mil metros de espaço construído, o que é insuficiente para oferecer uma educação voltada para a agricultura.

“Nós já estamos passando muitas dificuldades por essa questão orçamentária. Não temos condições de ampliar o quantitativo de alunos, fazer processo seletivo todo ano, porque não temos infraestrutura para receber esse aluno do campo. Então, dependemos de orçamento do governo federal. Agora que esse governo tem uma proposta de estipular um teto, como vamos conseguir manter o mínimo se já não temos o mínimo?”, questiona Ribeiro.

A professora de informativa informa ainda que o campus rural de Marabá recebe alunos indígenas, quilombolas e assentados pela reforma agrária da região sul e sudeste do Pará, como os municípios de Itupiranga, Piçarra e Parauapepas e diz que para as famílias que residem nos assentamentos o campus rural de Marabá é a alternativa de educação para os jovens que moram na região sem precisar ir para a cidade e deixar suas comunidades.

A metodologia aplicada no campus é baseada na pedagogia da alternância que consiste na estadia dos alunos em alojamentos por um período de 30 a 45 dias com retorno as comunidades onde moram para aplicar o que aprenderam.

O campus rural de Marabá possui seis anos de existência e a criação foi uma conquista dos movimentos sociais. O terreno onde se localiza o campus é originado de um assentamento de reforma agrária chamado 26 de março, antiga fazenda Cabaceira.

Unifesspa

Na noite do dia 25 a Unifesspa também foi ocupada pelos estudantes de Marabá. Helyton Corrêa, discente de química e militante do Levante Popular da Juventude, disse que, mesmo com a aprovação da PEC na Câmara, os estudantes continuarão ocupando as dependências da universidade.

“A ideia é continuar resistindo e aderindo à ocupação nacional. A gente perdeu essa batalha no Congresso, mas agora é pressionar o Senado”, conclui.

Edição: Camila Rodrigues da Silva