Impunidade

Após adiamento, ruralista vai a júri popular por morte de sem terra

Mais de 18 anos após assassinato de Sebastião Camargo, ex-presidente da UDR é julgado nesta segunda-feira (31)

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Julgamento começou nesta segunda-feira (31) e não tem hora definida para seu término / Reprodução

Após ter seu julgamento adiado, o ruralista e ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR) Marcos Prochet vai a júri popular nesta segunda-feira (31). Ele é acusado pelo homicídio do trabalhador sem terra Sebastião Camargo, então com 65 anos, em 1998. O julgamento ocorre em Curitiba, no Paraná.

Prochet já foi julgado em 2013. Na ocasião foi condenado a 15 anos e 9 meses de reclusão, tendo sido considerado o autor do disparo que tirou a vida de Sebastião. A decisão, entretanto, foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Paraná e um novo julgamento foi determinado.

O segundo julgamento do ruralista deveria ter ocorrido no dia 25 de agosto. No entanto, uma semana antes do julgamento, a defesa juntou ao processo mais de quatro mil páginas impressas de documentos e 26 CDs, impedindo a análise em tempo hábil por parte da promotoria.

Nesta segunda-feira, o novo julgamento - que não tem hora definida para seu término - foi iniciado com os jurados ouvindo testemunhas da acusação e da defesa.

Caso

Sebastião Camargo foi morto durante um despejo ilegal que envolveu cerca de 30 pistoleiros na cidade de Marilena, na região noroeste do Paraná. Além do homicídio de Camargo, 17 pessoas, entre elas crianças, ficaram feridas.

O local onde ocorreu o homicídio já havia sido declarado improdutivo pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e destinado para a reforma agrária. Hoje, a área onde aconteceu o assassinato é um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), batizado Sebastião Camargo, em homenagem ao trabalhador.

Outras três pessoas já foram condenadas pelo caso em novembro de 2012. Teissin Tina, ex-proprietário da fazenda Boa Sorte, onde o agricultor foi morto, recebeu pena de seis anos de prisão por homicídio simples. Osnir Sanches foi condenado a 13 anos de prisão por homicídio qualificado e constituição de empresa que recrutava jagunços para executar despejos ilegais.

Augusto Barbosa da Costa, integrante do grupo de pistoleiros também foi condenado, mas recorreu da decisão.

Outro ruralista, Tarcísio Barbosa de Souza - presidente da Comissão Fundiária da Federação de Agricultura do Estado do Paraná, ligada à Confederação Nacional da Agricultura (CNA), também responde pelo crime, tendo sido denunciado em 2013. Souza é ex-tesoureiro da UDR e ex-vereador em Paranavaí pelo Democratas (DEM).

O assassinato de Sebastião Camargo foi o primeiro de uma série de homicídios praticados com envolvimento de milícias armadas, no Paraná. Além dele, foram mortos Sétimo Garibaldi (1998), Sebastião da Maia (1999), Eduardo Anghinoni (1999) e Elias Gonçalves Meura (2004), entre outros trabalhadores.

Edição: José Eduardo Bernardes