AGROECOLOGIA

MST desenvolve projeto de hortas agroecológicas em escolas de Maricá, no RJ

Município mostra que é possível realizar produção agroecológica também na cidade

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Alunos da rede pública de Maricá aprendem na prática a importância de produzir alimentos saudáveis / Foto: MST

O cultivo de verduras e hortaliças sem veneno já é realidade em seis escolas públicas de Maricá, na região dos Lagos, no interior do Rio de Janeiro. Os alunos começaram a plantar hortas agroecológicas em março desse ano. A iniciativa faz parte do Programa Maricá Popular: construindo a soberania alimentar, desenvolvido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em parceria com a prefeitura da cidade, administrada por Washington Quáquá (PT).

Estudantes da Escola Municipal Dirce Marinho Gomes já aprenderam a cuidar da horta. “Essa parceria com o MST está sendo muito importante para a nossa escola, os alunos ficaram encantados com a possibilidade de aprender a trabalhar na terra. Além disso, a gente pode trabalhar muitas formas de aprendizagem nesse espaço, como aulas de biologia, matemática e até português”, explica a diretora Carina de Souza Moura.

Um dos entusiastas do projeto, o professor Lacerda, que já trabalhava com temas ambientais nas escolas municipais, ganhou um incentivo a mais para continuar ensinando a importância da agricultura urbana para as crianças. “Tenho uma kombi onde ofereço aulas itinerantes de educação ambiental para as escolas. Ensinava sobre o solo, as sementes e como plantar. Agora, com esse projeto da agroecologia todos nós estamos aprendendo muito”, conta o professor.

A equipe de campo do MST, organizada através da cooperativa Cooperar, é formada por um agrônomo, uma técnica de agroindústria e dois técnicos em agroecologia. Eles estão em Maricá ensinando professores e alunos a plantar e cuidar das hortas.

“Primeiro a gente começa com uma palestra para explicar a importância de produzir alimentos e, sobretudo, alimentos sem veneno”, explica Talles Reis, integrante do MST e do Programa Maricá Popular. Em uma segunda etapa, os técnicos e o agrônomo demarcam o terreno, começam a trabalhar na terra e os alunos já podem botar a mão na massa. A prefeitura de Maricá também tem a intenção de incluir a prática da agroecologia no currículo escolar da rede municipal de educação. 

Além disso, o projeto também se estende ao Centro de Atendimento Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS-AD), onde pessoas que se recuperam de dependência química estão aprendendo a fazer hortas agroecológicas. “Nesse caso o trabalho na horta vai além da produção de alimentos saudáveis, pois também serve como exercício de terapia para as pessoas que estão em tratamento”, afirma Talles Reis.

Soberania alimentar

Outra iniciativa que também faz parte do Programa Maricá Popular é a horta comunitária de dois hectares que será criada na cidade para plantio de uma quantidade maior de verduras e hortaliças. A proposta é que esses alimentos sejam distribuídos a escolas, creches e hospitais do município.

Todas essas iniciativas fazem parte de algo maior, segundo Talles Reis. A ideia é que no futuro as famílias tenham sua própria horta agroecologia em casa. “Estamos ensinando as crianças e os adolescentes com a esperança que esse conhecimento se multiplique e que esses estudantes possam levar para casa o que aprenderam na escola”.

O MST é um movimento que luta pela reforma agrária e a distribuição justa de terras e ao longo dos anos acumulou experiência em relação às técnicas de plantio e cultivo sem uso de agrotóxico. Inclusive o movimento tem sua própria produção de sementes. “Isso é necessário porque quando compramos sementes nas lojas e mercados elas já vêm contaminadas, cheias de veneno”, explica Talles.

Atualmente as sementes agroecológicas plantadas nas escolas de Maricá vem de uma cooperativa do MST no Rio Grande do Sul, mas o objetivo é que a cidade também tenha sua própria produção de sementes para abastecer o projeto.

Edição: Vivian Virissimo