Violência

Homicídio contra jovens cresceu quase 700% em 34 anos

Assassinato do estudante em escola ocupada reflete os altos índices de violência contra a juventude

Curitiba

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Entre janeiro e março deste ano, o número de assassinatos em Curitiba cresceu 11,5% em comparação com o mesmo período de 2015 / Fernando Frazão/ Agência Brasil

A morte do adolescente Lucas Eduardo Araújo Mota dentro de uma escola ocupada do bairro Santa Felicidade, em Curitiba, reabre o debate sobre violência contra a juventude. Longe de ser um fato isolado, ou ocasionado em decorrência do movimento das ocupações dos secundaristas, o assassinato do estudante reflete um problema que tem se agravado no estado e no país.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a faixa etária de 15 a 29 anos de idade representava, em 2014, aproximadamente, 26% da população total do país. No entanto, a participação juvenil no total de homicídios por arma de fogo (HAF) mais que duplica o peso demográfico dos jovens: 58%.

Segundo dados do Mapa da Violência no Brasil de 2014, considerando o total de homicídios por arma de fogo (HAF), o número passou de 6.104, em 1980, para 42.291, em 2014: crescimento de 592,8%. Entre os jovens, este crescimento foi bem maior: pulou de 3.159, em 1980, para 25.255, em 2014: crescimento de 699,5%.

No ano de 2014, no Paraná, a cada 100 mil habitantes na faixa etária de 15 a 29 anos 45,9 eram vítimas de homicídio por armas de fogo. O número paranaense foi maior do que o do Rio Grande do Sul (43,9) e o de Santa Catarina (16,6).

Entre janeiro e março deste ano, o número de assassinatos em Curitiba cresceu 11,5% em comparação com o mesmo período de 2015 – de 130 para 145 homicídios. O levantamento é da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, divulgado no final de maio desde ano.