CONTRA A PEC 241/55

Estudantes ocupam a UFRJ, a maior universidade do Brasil

Alunos da Universidade Rural, que também participam de ocupação, preparam dia de luta pela educação, em 10 de novembro

Brasil de Fato I Rio de Janeiro (RJ)

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Em assembleia, realizada sexta-feira (5), estudantes da UFRJ decidiram ocupar a universidade / Divulgação/DCE UFRJ

Nessa segunda-feira (7), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) se somou às mais de 170 universidades e 1.200 escolas ocupadas em todo Brasil, contra a PEC 241, agora PEC 55, que tramita no Senado. Com 55 mil estudantes, 4 mil professores e 9 mil técnico-administrativos, a maior universidade do Brasil teve vários de seus campus e institutos ocupados, entre eles estão as unidades da Praia Vermelha, a Faculdade Nacional de Direito, o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e o Nupem (Macaé).

“Estamos ocupando nossa universidade porque queremos somar forças ao movimento de estudantes que já ocupam centenas de escolas e universidades contra a PEC do Fim do Mundo. Por enquanto, as aulas não serão paralisadas porque nós queremos dialogar e debater com todos os alunos”, afirma a estudante de Ciências Sociais, Julia Aguiar, integrante do Diretório Central Acadêmico (DCE) da UFRJ.

De acordo com um informe do DCE, publicado nas redes sociais, a agenda de mobilização da ocupação inclui a realização de diversos atos, aulas públicas, debates e oficinas de faixas e cartazes. Os estudantes também prometem se somar às mobilizações nacionais nos dias 11 e 25 de novembro. “Vamos levar para os quatro cantos do país a luta contra os retrocessos”, diz o comunicado.

Segundo a universitária Julia Aguiar, o corte de gasto proposto pelo governo Michel Temer prejudicará a educação pública. “A UFRJ é o sonho de muitos estudantes brasileiros, então não podemos nos calar diante dessa PEC, que pode destruir a educação pública. Nesse sentido, esperamos que a reitoria, os professores e técnicos da universidade nos apoiem, porque a PEC é contra eles também”, ressalta Julia, que faz parte do Levante Popular da Juventude.

Sinal de que a situação não é nada simples para o quadro administrativo da universidade é o fato de que recentemente, o próprio reitor da UFRJ, Roberto Leher, foi convocado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ), a prestar esclarecimentos sobre um evento, realizado no dia 6 de abril, no Largo de São Francisco, denominado “Em defesa dos direitos sociais, políticos e das conquistas democráticas no país”. O MP chegou ameaçar com condução coercitiva caso o reitor não comparecesse para explicar o evento.

Em nota, Roberto Leher afirmou que muitas reitorias estão sendo intimadas e destacou a importância da defesa da autonomia universitária.

Ocupação na Universidade Federal Rural (UFRRJ)

Ocupada desde o dia 26 de outubro, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) está com 90% das suas unidades engajada na forma de protesto dos estudantes.

“Nossa ocupação cresceu muito, começou no prédio da reitoria, mas depois se espalhou para todos os institutos, faculdades e campus, onde foram realizadas assembleias e os alunos aprovaram a ocupação”, afirma o aluno de Breno Rodrigues, estudante de Ciências Sociais. Em assembleia nessa segunda-feira (7), os estudantes determinaram que o Colégio Técnico da UFRRJ (CTUR), em Seropédica (RJ) será ocupado na quarta-feira (9).

Os universitários também contam que tiveram que redobrar o cuidado com a segurança. “Circulou nas redes sociais publicações de pessoas que são contra nossa ocupação, com comentários bastante agressivos. Isso nos preocupa”, denuncia Breno Rodrigues.

No entanto, o ocorrido não impediu as atividades cotidianas da ocupação. Todos os dias os alunos realizam debates sobre as medidas previstas na PEC 241/55, aulas coletivas, atividades externas nas praças da cidade de Seropédica para buscar interação com a comunidade local, entre outras ações.

Para o dia 10 de novembro está previsto um grande evento que está sendo chamado de “um dia de luta pela educação”, no campus de Nova Iguaçu da UFRRJ. A programação começará de manhã e vai até a noite com atividade culturais, cursos de formação política, debates e palestras. A atividade está sendo organizada em conjunto com sindicatos de trabalhadores da universidade, movimentos populares e organizações independentes.

Atos no Rio de Janeiro

Diversos atos estão previstos essa semana. O principal deles é a paralisação do dia 11 de novembro contra a PEC 241/55, que também será realizada em todos os estados brasileiros. No Rio, a concentração está prevista para as 17h, na Candelária, no Centro.

Além disso, os servidores estaduais estão prevendo atos durante toda a semana contra o pacote de medidas de ajuste fiscal anunciado pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) na última sexta-feira (5).

Edição: Vivian Virissimo