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Ato em solidariedade ao MST reúne 500 pessoas na ALMG, em Belo Horizonte

Organizações denunciam golpe e violência contra movimento

Belo Horizonte

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Na última semana, policiais invadiram a Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema (SP), sem mandado de busca e apreensão / Joana Tavares

Na manhã do dia 4 de novembro, policias civis de São Paulo invadiram uma escola de formação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP). Sem mandado judicial, os homens forçaram a entrada na escola e dispararam tiros de balas letais. O professor voluntário Ronaldo Valença tentou impedir a agressão e foi derrubado no chão, fraturando três costelas. A musicista e educadora popular Guê Oliveira presenciou a cena e pediu para os policiais pararem. “Encontrei seu Ronaldo deitado no chão, achei que ele tinha tomado um tiro. Aí falei para o policial: ‘não faça isso, ele é doente’. O policial então me pegou por trás e me jogou no chão. Dizem que colocou uma arma em mim. Eu ficava falando que não precisava daquilo. Ele disse que eu estava desacatando, me algemou e me colocou no camburão. Só quando estávamos no camburão é que o mandado chegou, mas mesmo assim sem assinatura”, lembra.

Guê participou na tarde desta quarta (9) de um ato em solidariedade ao MST e contra a criminalização dos movimentos populares, no hall da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte. Cerca de 500 pessoas, de várias organizações, atenderam ao chamado do movimento e se somaram no ato de repúdio à ação violenta da polícia.

“Essa situação se relaciona com o estado de exceção que vivemos no Brasil hoje.  Estão querendo retirar direitos, vemos um avanço do conservadorismo. Há um processo de criminalização não só do MST, mas de um conjunto da sociedade que está disposto a se organizar para lutar contra o golpe. Nós, classe trabalhadora, precisamos estar juntos daqueles que lutam”, afirma Guê.

Jairo Nogueira Filho, secretário geral da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT Minas) reforça: “A gente sabia que iam começar [a criminalização] por algum lugar. E começaram pelo MST, que é o movimento mais organizado, que tem feito uma boa luta em prol da terra para o povo brasileiro”. Ele sublinha que o MST tem uma importância histórica para o Brasil. “Não adianta a direita vir falar que o MST é milícia, porque isso é mentira. Quem o conhece o MST sabe que eles têm um trabalho muito sério, de avanço para  a distribuição de terras no país”.

Nilmário Miranda, secretário de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, reforça que o MST é responsável pela conquista de “dezenas de milhares de assentamentos de reforma agrária”. “É um movimento que tenta trazer um mínimo de equilíbrio frente à hegemonia do agronegócio. Ele organiza agricultores que produzem sem veneno, com criação da cidadania, sem exploração. É um modelo alternativo de produção”, afirma. Nilmário reforça que os conflitos sociais são casos de política, não de polícia. “Recriminamos a invasão da polícia, sem mandado judicial e sem motivo plausível, na ENFF. Isso é um insulto a todos que se organizam para lutar por direitos. O Estado deve tomar providências e punir os policiais”, acredita.