MOBILIDADE URBANA

No Rio, bondinho de Santa Teresa custará R$ 20

Moradores do bairro poderão se cadastrar para usar gratuitamente o meio de transporte

Agência Brasil

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Forte mobilização da associação resultou na gratuidade para moradores / Tânia Rêgo/ Agência Brasil

O tradicional bonde de Santa Teresa, que voltou a circular no ano passado, depois de quatro anos parado, terá uma tarifa de R$ 20 a partir de 15 de dezembro. Segundo nota divulgada nesta quinta-feira (10) pelo governo do estado, a tarifa é considerada “turística”, uma vez que os moradores de Santa Teresa poderão se cadastrar para usar gratuitamente o meio de transporte.

Segundo o governo estadual, a medida visa garantir os recursos necessários para a operação e manutenção do sistema, que liga o centro da cidade ao bairro, que fica em um morro e é marcado por várias ladeiras.

O cadastramento dos moradores será feito a partir do próximo dia 21, das 8h às 16h, na Estação Carioca dos Bondes (rua Lélio Gama, s/nº, Centro). Os moradores terão que apresentar comprovante de residência, identidade e CPF (original e cópia) e uma foto 3x4. Os dependentes que não possuem os documentos necessários poderão apresentar a certidão de nascimento.

Os bondes estão funcionando das 6h30 às 16h15, de segunda a sexta-feira, e das 10h às 18h aos sábados. Não há operação aos domingos e feriados. Atualmente, os bondes circulam no trecho Largo da Carioca - Largo dos Guimarães, com saídas a cada 15 minutos.

Descarrilamento

Em 27 de agosto de 2011 o descarrilamento de um bonde deixou seis mortos e mais de 50 feridos em Santa Teresa, na região central do Rio. Ao longo dos últimos cinco anos desde o acidente, o principal e, por muito tempo, único meio de transporte dos moradores do bairro de muitas ladeiras íngremes e sinuosas passou a ser micro-ônibus de uma mesma empresa, que já provocaram dezenas de acidentes.  

“O direito à nossa mobilidade está profundamente prejudicado sem o bonde. Tem uma obra da qual falta um terço, a verba já foi gasta, sete aditivos e um escândalo, que é uma ação que nós, da Amast [Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa] ganhamos na Justiça, por meio do Ministério Público, que obriga o estado a fazer as obras. Não se pode dizer que não tem dinheiro. Não se pode deixar buracos, obra inacabada, sem nenhum respeito aos nossos direitos”, desabafou Ana Lúcia Magalhães Barros, uma das diretoras da entidade.

Segundo a Secretaria Estadual de Transporte, a retomada das obras depende da liberação de recursos, para os quais não há previsão.

Relembre: Justiça bloqueia bens de ex-secretário por acidente

A Justiça do Rio bloqueou os bens do ex-secretário de Transportes do governo do estado, e atual deputado federal, Julio Lopes (PP-RJ), além de três executivos, pelo acidente com o bonde de Santa Teresa, que matou seis pessoas e deixou 57 feridas, em agosto de 2011.

De acordo com o juiz Alexandre de Carvalho Mesquita, titular da 3ª Vara de Fazenda Pública da capital, decretou a indisponibilidade de bens do ex-secretário e de mais três executivos da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central), acusados de improbidade administrativa.

A decisão, tomada no dia 3 de novembro de 2015, determinou o bloqueio de R$ 6,3 milhões, divididos entre os quatro réus, mas cabe recurso. Eles respondem pela acusação de omissão na manutenção preventiva dos bondes de Santa Teresa.

Além do ex-secretário, o Ministério Público denunciou na ação civil pública o então presidente da Central, Carlos Eduardo Carneiro Macedo, e os diretores Ana Carolina Vasconcelos e Sebastião Rodrigues Pinto Neto.

A administração dos bondes de Santa Tereza foi transferida, em 2001, pelo governo do Estado, da Companhia de Transportes Coletivos (CTC) à empresa Central. A Secretaria de Transportes do Estado do Rio era a responsável pelo controle e supervisão do desempenho da Central, assim como, por zelar pela qualidade, segurança e eficiência dos serviços prestados.

A ação civil ajuizada pelo Ministério Público foi fundamentada no inquérito civil instaurado em 2004, a partir de representação da Associação de Moradores e Amigos do Bairro de Santa Teresa (Amast), que denunciou o completo estado de abandono e precariedade do sistema de bondes. 

A alegação foi que durante sete anos, até a data do acidente, “era sabido que os bondes não estavam em condições regulares de operação e, ainda assim, por todo esse tempo, os réus, tendo a obrigação legal de tomar providências para tanto, mantiveram-se inertes, até que adveio, como seria previsível, grave acidente decorrente do total descaso com que foi tratado tão importante meio de transporte”.