Luta

Funcionários do setor público no Chile continuam paralisação por reajuste salarial

Desde quinta-feira (10), trabalhadores estão em greve; negociações com o governo do Chile não são satisfatórias

Brasil de Fato I São Paulo (SP)

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“Há uma tendência a criminalizar o exercício da greve e da protesta social tirando o foco da importância demanda”, explicou a dirigente da Confusam / Radio ADN (cl)

Os representantes da Associação Nacional de Funcionários Fiscais (ANEF) prolongaram por mais 48 horas, nesta segunda-feira (14), a paralisação das atividades dos trabalhadores e trabalhadoras do setor público, iniciada na quinta-feira (10). Segundo a Associação, as negociações com o governo do Chile não tem sido satisfatórias. A paralisação convocada pela Central Unitária de Trabalhadores do Chile e pela Mesa do Setor Público Nacional, se soma a jornada de atos e manifestações públicas em todo país nesta terça (15).

Os trabalhadores do setor público não aceitaram a proposta feita pelo governo de realizar um reajuste salarial de 3,2%, e garantiram que se não houver uma nova oferta de negociação, a paralisação pode ser estendida por mais tempo. Os funcionários afirmaram que não aceitarão um reajuste menor do que 4%.

O caminho escolhido pelo governo chileno afasta uma possibilidade de desfecho, considerando que tem manifestado intenções de aprovar o reajuste salarial no Congresso Nacional, ainda sem fechar um acordo com a Mesa do Setor Público.

Em entrevista ao portal de notícias chileno El Ciudadano, a secretaria geral da Confederação Nacional de Funcionários da Saúde Municipal (Confusam), Carolina Espinoza, afirmou que “é uma conduta de desprezo ignorar os representantes dos trabalhadores”. “Não sei se o ministro [de fazenda] Valdés considera que não temos legitimidade, mas tem passado por cima da gente permanentemente”, comentou.

Em relação à saúde municipal, a Confusam estima uma adesão à greve superior a 95% dos funcionários, mas mantendo os “turnos éticos” correspondentes. Ainda assim, a organização identifica as complicações que podem ocorrer aos usuários do sistema de saúde público.

“Insistimos em dizer que esta paralisação não é contra as pessoas, mas a verdade é que os nossos usuários estão passando por uma situação muito difícil”, afirmou Espinoza.

Há uma tendência de criminalizar o exercício da greve e do protesto social, tirando o foco da importância da demanda”, explicou a dirigente.

Os funcionários públicos têm recebido o respaldo de organizações sindicais do setor privado, de associações de usuários e de alguns parlamentares, segundo comentou Carolina Espinoza.

Edição: José Eduardo Bernardes