INSEGURANÇA

Assaltos a bancos prejudicam população e trabalhadores das agências

Média quase um assalto por dia expõe cenário de violência em Pernambuco

Recife

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Protesto contra a insegurança nas agências realizado em Recife / Sindicato dos Bancários PE

Que trabalhador gostaria de ter uma arma apontada para si dentro do seu local de trabalho? A incômoda situação tem se repetido com alguma frequência com os trabalhadores e trabalhadoras das agências bancárias em Pernambuco. Assaltos a bancos, explosões de caixas eletrônicos, arrombamentos e até sequestros de funcionários têm sido notícias quase diárias no estado, levando funcionários a desenvolver doenças psicológicas e prejudicando a população, já que muitas agências acabam temporariamente desativadas.

De janeiro a 7 de novembro deste ano foram 247 ações violentas dentro dos bancos – uma média de 5,5 ações por semana, ou 3 a cada 4 dias. Entre as ações estão 33 explosões, 13 assaltos, 128 explosões de caixas eletrônicos, seis sequestros, 13 arrombamentos, 18 ataques em agências dos Correios e 36 ações em casas lotéricas, os dados são do Sindicato dos Bancários de Pernambuco. As ações criminosas atingiram 39 municípios de todas as regiões de Pernambuco. As agências mais atacadas são as do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, Bradesco e Santander.

No dia 27 de outubro um tesoureiro do Banco do Brasil na cidade de Bezerros, região Agreste do estado, teve explosivos colados ao seu corpo e foi feito refém durante tentativa de assalto à agência. A exposição à violência tem prejudicado a saúde dos trabalhadores bancários. “A situação é lastimável”, afirma o presidente em exercício do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Fabiano Moura. “Muitos trabalhadores desenvolvem síndrome do pânico e outras doenças emocionais. As pessoas estão inseguras de ir de casa para o trabalho e na volta para casa. Se antes já geravam traumas, os assaltos hoje são piores, com explosões e sequestros de tesoureiros e gerentes, que detém as chaves dos cofres, além com ameaças a familiares destes”, lamenta o bancário.

Ele conta que na cidade de Paulista, na Região Metropolitana, os assaltantes renderam o segurança do Banco do Nordeste (BNB) com ameaças exibindo fotos de familiares do trabalhador. “Em alguns casos os bandidos fazem a família do gerente ou tesoureiro de refém enquanto conduzem o funcionário para o cofre da agência”, afirma. Segundo o sindicalista, trabalhadores de alguns municípios ficam tensos, imaginando que sua agência será a próxima.

As explosões de agências acabam por fechar muitas delas, afetando principalmente as cidades em que há apenas uma agência, normalmente do Banco do Brasil. “Já são mais de 50 cidades do interior sem agências bancárias, que foram fechadas em consequência das explosões. 

“Além da exposição da população à violência, isso provoca a superlotação das agências das cidades vizinhas”, destaca Moura. Segundo levantamento do Sindicato dos Bancários, as agências do município de Arcoverde, no Sertão, estão recebendo as demandas de 5 cidades, provocando filas de até 200 clientes. “É mais tempo de espera para o usuário e mais sobrecarga e estresse para os trabalhadores bancários, pois as agências não possuem estrutura para atender a tantos municípios”, diz.

Outra consequência para as menores cidades se dá no comércio local. Quando a população se desloca para fazer transações financeiras noutra cidade, acaba por fazer suas compras lá. Isso tem prejudicado muito o comércio das cidades que estão com agências fechadas. “O Sertão está refém da criminalidade e o Governo de Pernambuco não aponta um caminho, sequer um início para solucionar a situação. O secretário de Segurança alega que a situação se repete em todo o País. Mas isso não é resposta. O número de policiais no interior é muito pequeno. Há municípios em que só há uma viatura com dois policiais para fazer a segurança da cidade inteira”, se queixa. “O Estado não se posiciona de maneira efetiva em relação a isso”.